“Divirtam-se”. Donald Trump liberta ficheiros sobre OVNIS e deixa interpretação dos fenómenos em aberto
Gerada por IA
“Decidam por vocês mesmos o que raio se está a passar.
Aproveitem e divirtam-se”. Foi assim que Donald Trump anunciou na sua rede
social, a Truth Social, que acabara de libertar uma quantidade enorme de
documentos relativos a objetos voadores não identificados, até então
classificados como secretos. Foi na passada sexta-feira, dia 8 de maio, que o
executivo norte americano divulgou os documentos secretos, criando, para o
efeito, um website, sítio no qual se podem encontrar detalhes de avistamentos
reportados, e fotografias de fenómenos aéreos não identificados (UAP), ou, como
são mais conhecidos em Portugal, vulgo OVNI.
Segundo o comunicado lançado pelo departamento da defesa
norte-americano, esta divulgação faz parte da estratégia
presidencial de total transparência neste
tema, e que envolveu vários ministérios e gabinetes. “Nenhum outro presidente ou governo na história cumpriu
com este nível de transparência em relação aos UAP”, pode ler-se no
comunicado. O executivo da Casa Branca faz questão de afirmar que as anteriores
administrações ocultavam estas informações para desacreditar ou dissuadir os
americanos no que diz respeito ao avistamento de OVNI. A Casa Branca acredita
ainda que estes documentos deveriam ter sido tornados públicos há anos.
“O Departamento da Defesa está em sintonia com o presidente
Trump para proporcionar uma transparência sem precedentes no que diz respeito à
compreensão do nosso governo sobre os fenómenos aéreos não identificados”,
afirma o secretário da Defesa, Pete Hegseth.
São cerca de 160 os documentos agora revelados, alguns já com décadas, mas o executivo promete a divulgação de novos ficheiros. No entanto, os responsáveis não apresentaram qualquer informação adicional, qualquer análise dos documentos, deixando em aberto a explicação dos mesmos. Os republicanos entendem que o público pode tirar as suas próprias conclusões com base nas informações contidas nos arquivos, que incluem telegramas antigos, documentos do FBI e transcrições da NASA relativas a voos tripulados para o espaço. O novo website tem um design com aspeto antigo, com letras do tipo das usadas nas máquinas de escrever, e está repleto de imagens militares a preto e branco.
«O Departamento da Defesa está em sintonia com o presidente
Trump para proporcionar uma transparência sem precedentes no que diz respeito à
compreensão do nosso governo sobre os fenómenos aéreos não identificados. Estes
ficheiros, ocultos por classificações de segurança, têm há muito alimentado
especulações justificadas — e está na hora de o povo americano os ver por si
próprio. Esta divulgação de documentos desclassificados demonstra o compromisso
sincero da administração Trump com uma transparência sem precedentes”,
disse, citado em comunicado, o secretário da Defesa, Pete Hegseth.
Isto não apaga os ficheiros Epstein, dizem os críticos
Porém, as críticas começaram a surgir. Por um lado,
especialistas apelam à cautela em relação à divulgação dos novos ficheiros, já
que vídeos de UAP são frequentemente mal interpretados e deturpados por quem
não está familiarizado com a tecnologia militar. Em 2024, o Pentágono terá
mesmo refutado afirmações de que os Estados Unidos teriam encontrado tecnologia
extraterrestre e teriam prova de vida extraterrena.
Críticos de Trump acusam-no de estar a criar uma manobra de
distração, para afastar a opinião pública dos ficheiros relativos ao caso
Epstein e mesmo da guerra no Irão. Citada pela Forbes internacional, a
ex-deputada Marjorie Taylor Greene, que se tornou uma forte crítica do
presidente, disse numa publicação na rede social X: «Não me importo mesmo com
os arquivos sobre OVNI. Simplesmente não me importo», chamando-lhe “propaganda
enquanto travam guerras no estrangeiro, deixam violadores e pedófilos à solta e
arruínam o valor do nosso dólar”. Também o deputado Thomas Massie, republicano
do Kentucky, criticou a promessa de Trump, feita em fevereiro, de divulgar
documentos sobre OVNI, dizendo “Lançaram uma
arma de distração em massa, mas os arquivos de Epstein não vão desaparecer… nem
mesmo para os extraterrestres”.
Forbes: 10 de maio de 2026
Ficheiros secretos do Pentágono mostram pontos de luz
que aceleram, desaparecem e voltam a aparecer
Confesso que nunca fui homem de OVNIs [objetos voadores não
identificados]. Não por desinteresse, porque sou curioso por natureza, mas
sempre associei o tema a documentários de madrugada, a entusiastas com mapas de
constelações na parede, e a sites de fundo preto com letras amarelas e verde
fluorescentes. E a uma certa ingenuidade que não combina com a minha forma
física de ver o mundo.
Hoje li os ficheiros. Os verdadeiros ficheiros com notas,
vídeos e imagens caçadas pelos militares e não pelos caça OVNIs.
Não os "ficheiros secretos" com as tais redações a
preto que alimentam teorias da conspiração. Falo dos documentos que o próprio
governo americano desclassificou e publicou ontem. Relatórios do FBI com
formato 302, testemunhos de pilotos da Marinha americana, avaliações formais do
Pentágono, audiências no Congresso. Documentos assinados, datados, com nomes e
patentes reais. Os ficheiros do “outro” campeonato.
O que esses documentos descrevem não é ficção científica. É
física. E física muito estranha.
O que dizem os ficheiros
Os relatos repetem-se com uma consistência perturbadora.
Orbes luminosos - esferas de luz com 20 a 30 centímetros, às vezes maiores -
que pairam imóveis no ar ou que se se movem a velocidades que os helicópteros
em perseguição não conseguem acompanhar. Ou que aparecem em enxame, que
desaparecem instantaneamente sem produzir som e sem deixar rasto. Sem onda de
choque. Sem calor residual. Sem nada daquilo que a física nos ensinou que devem
estar presentes.
Um relatório FBI 302 descreve um desses encontros numa
instalação militar americana onde um orbe "super-quente" a pairar
sobre o solo e percorreu 30 quilómetros a uma velocidade impossível para
qualquer aeronave conhecida, seguido de um enxame de quatro ou cinco orbes que
pulsavam durante trinta minutos sobre a área.
Não é um louco que escreve
isto. É um agente do FBI num
relatório formal de entrevista a um alto responsável dos serviços de
inteligência americanos. E não foi apenas um, foram muitos.
Então fiz o que qualquer engenheiro físico faria: tentei
perceber o que a física conhecida tem a dizer sobre isto e tentei montar a
minha própria explicação. O que vai ler daqui para a frente não é conspiração,
mas é especulação lógica, até provas em contrário.
O problema com a propulsão
A primeira pergunta é óbvia: como é que algo acelera
instantaneamente, muda de direção a 90 graus, e depois simplesmente desaparece
sem fazer barulho, sem aquecer o ar, sem deixar qualquer rasto?
A resposta curta é que nenhum sistema de propulsão que
conhecemos pode fazer isto. Nem foguetes, nem drones, nem plasma, nem sequer
locomoção iónica. Qualquer objeto com massa que acelera a essa velocidade cria
uma onda de choque audível a quilómetros. Aquece. Deixa rasto. Tem inércia.
Estes orbes não têm nada disso.
E foi aqui que puxei do que ainda me resta de físico até
chegar a algo que, tanto quanto sei, nunca foi articulado desta forma: E se
estes objetos não tiverem massa porque não são objetos?
A ideia que não consegui largar
Imaginem que não estamos a ver um objeto a mover-se. Estamos
a ver uma região do ar que está a ser excitada.
A física é simples: quando se concentra energia suficiente
numa região da atmosfera- com um laser de femtosegundo, por exemplo, ou com
campos eletromagnéticos intensos - as moléculas de azoto e oxigénio ionizam-se.
Libertam fotões e brilham. Cria-se um ponto de plasma visível no ar, sem que
nada físico esteja lá.
Isto já se faz hoje. Grupos de investigação no MIT e no Japão já criaram imagens tridimensionais no ar usando exatamente este princípio dos pontos de plasma posicionados com lasers, formando figuras visíveis a olho nu.
Agora imaginem que em vez de mover um objeto de A para B,
simplesmente se deixa de excitar o ar em A e se começa a excitar em B. O que o
observador vê é um orbe que "teleportou". Não houve massa em
movimento, não há inércia e não há onda de choque. Não há, portanto, som. O
orbe "desapareceu" porque a excitação atómica parou em nanossegundos
e o ar volta ao normal.
Parado, o orbe é invisível. Em movimento, ou seja, enquanto
o padrão de excitação se desloca, emite luz, mas quando para, apaga-se.
Mas então como é que os militares os detetam?
É a pergunta certa e a resposta é consistente com o modelo.
Câmaras de luz visível captam o plasma diretamente. É o
mesmo princípio das auroras boreais - luz emitida por iões em recombinação.
Câmaras térmicas como as FLIR que a marinha americana usa nos seus aviões
captam algo diferente segundo esta teoria. Não captam o orbe em si, mas o ar
quente à sua volta. A excitação atómica deposita energia térmica nas moléculas
vizinhas por colisão. O sensor térmico não está a ver um objeto quente mas sim
uma bolha de ar aquecido. Daí a expressão "super-quente" dos
relatórios. É uma assinatura real, mas é do meio, não do objeto.
O radar é outra história. Um plasma tem refletividade eletromagnética
variável. Em certas frequências reflete, noutras é transparente. Sem estrutura
física sólida, a assinatura radar é fraca, inconsistente, ou inexistente e é exatamente
isso que os ficheiros descrevem: “orbes visíveis em câmara que não aparecem no
radar”, ou que aparecem de forma anómala e intermitente.
Longe de ser uma objeção à teoria, é uma das suas predições
mais fortes. Um padrão de plasma no ar deveria ser visível opticamente, detetável
termicamente no ar circundante, e quase invisível para o radar. Que é
precisamente o perfil de deteção descrito nos documentos militares.
O computador que respira
Mas há uma parte desta ideia que me entusiasmou ainda mais
do que a explicação para os orbes.
Se um padrão de excitação atómica pode ser criado e movido
no ar, pode também codificar informação. Os estados eletrónicos dos átomos
excitados podem funcionar como bits e o padrão tridimensional de excitação pode
ser visto como um processador. O ar pode ser um computador sem hardware, sem
silício, sem nada físico para além dos átomos “organizados”.
E a parte verdadeiramente elegante deste modelo em que
descobri é o facto do mesmo feixe eletromagnético que cria esse
"processador atmosférico" poder ser também o canal pelo qual os
resultados regressam à fonte. Não é fácil nem entender nem explicar, mas seria
como num holograma em que a luz que ilumina o meio é modificada pelo meio e
devolve a imagem como se fosse um descodificador luminoso. O campo que escreve
a informação no ar é modificado pelo ar e regressa com o resultado. Escrita,
computação e leitura são um único ato físico.
Não há um "passo de leitura" separado. O circuito
fecha-se sozinho.
Se isto parece especulativo, e é intencionalmente muito
especulativo. Estou a propor uma hipótese que explique os orbes e não a
anunciar uma descoberta. É uma hipótese fisicamente coerente porque, ao que
sei, não viola nenhuma lei conhecida e explica comportamentos que nenhuma outra
hipótese explica.
Sobre o que isto implica
Não vou dizer que são extraterrestres. Não sei. Ninguém
sabe.
O que posso dizer é que, se esta tecnologia existe, seja de
origem humana ultrassecreta ou outra, estamos a falar de um nível de controlo
atómico remoto que está a séculos da nossa engenharia atual. Já conseguimos
fazer um pixel de plasma num laboratório, mas o que os ficheiros descrevem é um
organismo de luz feito de ar, inteligente, rápido, e invisível quando quer.
A distância entre os dois é astronómica e é exatamente por
isso que o tema merece ser levado a sério. Não porque acreditemos em discos
voadores, mas porque algo está a acontecer que a física convencional não
explica e ignorar dados por serem inconfortáveis nunca foi uma boa estratégia
científica.
Uma nota pessoal — e um obrigado improvável
Licenciei-me em Engenharia Física pela Universidade de
Aveiro. Nunca exerci física de laboratório. Há vinte anos que decidi levar a
física como modelo de pensamento para a área da gestão, estratégia e energias
renováveis.
Esta hipótese que aqui descrevo só é possível graças à
Inteligência Artificial que hoje nos permite formular, testar e desafiar
hipóteses. Depois de algumas horas a desafiar o incomum, consegui com a IA
construir um framework físico para processadores atmosféricos holográficos, que
entretanto redigi como paper especulativo para publicação no arXiv.
A IA pode não nos trazer as ideias, mas a IA pode ser o
nosso laboratório de testes e o nosso observador externo, guiando-nos em
antecipação aos resultados e fazendo-nos ganhar muito tempo. Neste caso
conseguimos clarificar os limites da física atual e desafiar o modelo até à
exaustão. As intuições do que me resta de físico transformaram-se em argumentos
estruturados. Esse é o poder da IA. A IA não me substitui como físico a IA
devolve-me a capacidade de o voltar a ser nem que seja desta forma criativa e
fortemente especulativa para a qual peço ao leitor reflexão mais do que
julgamento.
Estes ficheiros ainda vão dar muito que falar.
Fonte: CNN Portugal, 10 de maio de 2026


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