Emails revelam mergulho VIP de Kash Patel em Pearl Harbor
O FBI omitiu detalhes sobre a passagem de Kash Patel pelo
Havai no último verão. Enquanto as comunicações oficiais focaram na visita ao
escritório de Honolulu e em reuniões com autoridades locais (ressaltando que o diretor não estava de férias), emails
obtidos pela Associated Press (AP) revelam que o diretor fez um
“mergulho VIP” em torno de um navio de guerra afundado em Pearl Harbor.
Embora o FBI tenha mantido o episódio fora dos seus
comunicados (e o facto de Patel ter prolongado a sua estada no arquipélago por
mais dois dias), o diretor embarcou numa expedição exclusiva dias depois de
cumprir a sua agenda formal. Sob a tutela dos militares, o diretor participou
no que o overno descreveu como um “mergulho VIP” junto ao USS Arizona, um navio
que repousa no fundo do oceano e serve de túmulo a mais de 900 marinheiros e
fuzileiros navais norte-americanos.
Esta revelação, exposta por emails governamentais, surge num
momento delicado para o diretor, que já enfrentava críticas pelo uso de
aeronaves do FBI e por roteiros de viagens que
misturam o dever profissional com o lazer pessoal.
Para Stacey Young, fundadora da Justice Connection — rede de
antigos procuradores e agentes federais que advoga pela autonomia do
Departamento de Justiça —, o caso revela uma postura preocupante. “Isto
encaixa-se num padrão de o diretor Patel se envolver em distrações impróprias —
desta vez num local que homenageia o segundo ataque mais mortal da história dos
EUA — em vez de se manter totalmente focado em manter os americanos seguros”,
afirmou Young à AP.
A origem do convite para esta atividade permanece um
mistério. A capitã Jodie Cornell, em representação da Marinha, confirmou a
realização do passeio, mas admitiu que a instituição não conseguiu apurar quem
foi o responsável por o solicitar.
Segundo um antigo mergulhador do overno citado pela AP,
estas visitas subaquáticas costumam ser reservadas a figuras de topo, como
almirantes e secretários de Estado, com o intuito de lhes dar a conhecer a
operação do memorial. A Marinha dos EUA, contudo, evitou fornecer dados sobre a
frequência destes eventos, preferindo descrever a experiência de Patel como
“algo normal”.
Mas nem todos partilham desta leveza. Para Hack Albertson,
um veterano da Marinha que integra o restrito grupo autorizado a inspecionar os
destroços anualmente, ver figuras políticas a praticar snorkeling num local de
tamanha carga histórica é inadmissível. “É como fazer uma despedida de solteiro
numa igreja. É um lugar sagrado”,
explicou, insistindo que o memorial “precisa de ser tratado com a solenidade
que merece.”

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