Família real dos Emirados Árabes Unidos beneficia de mais de 70 milhões de euros em subsídios agrícolas da UE
Apenas
0,5% dos maiores proprietários agrícolas da União Europeia captam atualmente
16% de todo o orçamento da PAC
A família real que governa os Emirados Árabes Unidos
beneficiou de mais de 71 milhões de euros em
subsídios agrícolas da União Europeia destinados
a explorações agrícolas em Espanha, Itália e Roménia. A revelação resulta de
uma investigação internacional conduzida pela organização DeSmog, em parceria
com os meios espanhóis El Diario e romenos G4Media.
Segundo a investigação, empresas e subsidiárias ligadas à
dinastia Al Nahyan receberam dezenas de milhões de euros ao abrigo da Política
Agrícola Comum (PAC) entre 2019 e 2024. A PAC
representa cerca de um terço do orçamento total da União Europeia,
distribuindo aproximadamente 54 mil milhões de euros anuais para apoiar
agricultores e zonas rurais do bloco europeu.
A família Al Nahyan, que lidera os Emirados Árabes Unidos, é
considerada a segunda família mais rica do mundo,
com uma fortuna estimada
em mais de 320 mil milhões de dólares (270 mil milhões de euros),
proveniente sobretudo das reservas petrolíferas do país. No topo da hierarquia
está o presidente dos Emirados e líder de Abu Dhabi, Sheikh Mohamed bin Zayed
Al Nahyan.
O maior montante identificado foi atribuído à empresa agrícola romena Agricost, proprietária
da maior exploração agrícola da União Europeia, com cerca de 57 mil hectares.
Só em 2024, a Agricost recebeu 10,5 milhões de euros em pagamentos diretos da
PAC, mais de 1600 vezes acima do valor médio recebido por uma exploração
agrícola europeia.
A Agricost foi adquirida em 2018 pelo grupo agrícola Al
Dahra, ligado à família Al Nahyan, por cerca de 230 milhões de euros. Além da
Roménia, a Al Dahra adquiriu várias empresas agrícolas em Espanha desde 2012,
controlando mais de 8 mil hectares de terrenos agrícolas. Essas propriedades
receberam mais de 5 milhões de euros em subsídios europeus entre 2015 e 2024.
Em Itália, o fundo ADQ comprou, em 2022, a empresa frutícola
Unifrutti, avaliada em cerca de 830 milhões de dólares. As explorações
italianas da empresa terão recebido pelo menos 186 mil euros em subsídios
europeus nos três anos seguintes à aquisição.
Nos últimos 15 anos, os Emirados Árabes Unidos expandiram
fortemente os seus investimentos agrícolas em África, América do Sul e Europa, controlando atualmente cerca de 960 mil hectares de
terras agrícolas em todo o mundo.
As revelações reacenderam críticas à forma como os subsídios
da PAC são distribuídos. Como os pagamentos são calculados sobretudo com base
na dimensão das terras agrícolas, os maiores proprietários acabam por receber
uma fatia desproporcional dos apoios.
Segundo dados citados na investigação, apenas 0,5% dos
maiores proprietários agrícolas da União Europeia captam atualmente 16% de todo
o orçamento da PAC.
Perante as críticas crescentes, a Comissão Europeia
apresentou em julho de 2025 uma proposta de reforma da Política Agrícola Comum
para o período entre 2028 e 2034. Entre as medidas previstas está a
possibilidade de limitar os pagamentos diretos a 100 mil euros por agricultor e
por ano.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que os apoios ao
rendimento "devem ser melhor direcionados, incluindo através da redução e
limitação dos pagamentos às maiores explorações agrícolas".
Fonte: Correio da Manhã, 7 de maio de 2026

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