Fones com fios estão de volta? Geração Z recupera tradição de andar com cabos
Elsa Bellucci - criadora de conteúdos e influenciadora
espanhola
Durante
anos foram vistos como um acessório ultrapassado, engolidos pela revolução dos
dispositivos sem fio permaneceram guardados nas gavetas num emaranhado de nós
que só viriam a ser desfeitos em 2026, o ano em que os fones com fio voltaram a
estar na moda. O regresso do fio não deve ser apenas encarado como uma
alternativa barata, mas como um símbolo de uma mudança na forma como as
gerações mais jovens estão a lidar com a tecnologia
O regresso dos fones com fios tem muito de nostalgia. A
estética dos anos 2000, o chamado universo Y2K, voltou em força, e com ela
imagens que marcaram uma geração: os cabos brancos a sair de um iPod, os
auriculares como parte do estilo.
Agora, a mesma imagem reaparece em campanhas de moda, vídeos
de moda e inunda as redes sociais, os fios deixaram de ser um incómodo e
passaram a ser intencionais.
Porquê resgatar o passado dos vinis e fios?
O ressuscitar destes dispositivos não se deve somente a uma
questão visual. Os fones com fios são significativamente mais baratos do que os
modelos sem fios, não precisam de ser carregados e eliminam as frustrações
comuns como as falhas na ligação Bluetooth ou atrasos no som.
Para muitos dos que não saem de casa sem as suas ferramentas
de evitar o ruído do ambiente urbano, a fiabilidade voltou a pesar mais do que
a conveniência.
Agora, a Geração Z, responsável por recuperar o vinil e os
CD's, é uma das principais responsáveis pelo surgimento desta nova tendência.
Para este público, os fones com fio representam uma espécie
de “tecnologia física”, simples, direta e sem dependência de baterias ou
emparelhamentos.
É uma escolha que mistura estética, funcionalidade e até uma
certa rejeição do excesso tecnológico.
É 'effortlessly cool' usar fones com fios
O fenómeno ganhou ainda mais visibilidade quando
celebridades e figuras públicas vieram para as ruas com o cabo branco pendurado
no meio do peito numa espécie de prova viva de que é cool usar fones com fios.
Desde Zendaya a Lily-Rose Depp, vários famosos têm sido
vistos a usar fones com fios, inclusive a atriz Zoë Kravitz chegou mesmo a
criticar publicamente os problemas de ligação dos dispositivos Bluetooth. O
efeito mediático ajudou a reforçar a ideia de que o regresso não é apenas
prático é também cultural.
Os números não mentem
Os números confirmam a tendência. Depois de cinco anos
consecutivos de queda, as vendas de fones com fio dispararam na segunda metade
de 2025. No arranque de 2026, as receitas cresceram cerca de 20%, segundo dados
de analistas do setor. Um aumento expressivo que indica que não se trata de um
fenómeno pontual.
Ainda assim, o domínio dos dispositivos sem fios mantém-se.
Modelos como os earbuds Bluetooth continuam a liderar o mercado global.
O que está a acontecer não é uma substituição, mas uma convivência entre
formatos, cada um com o seu público e as com as suas vantagens.
No fundo, o regresso dos fones com fio diz mais sobre o
presente do que sobre o passado.
Num contexto em que cresce o interesse pelo analógico e pelo
offline estes pequenos cabos tornam-se um sinal de algo maior: a procura por
tecnologia menos intrusiva e mais fiável.
Fonte: SIC Notícias, 5 de maio de 2026

Comentários
Enviar um comentário