Israel financia crimes de guerra nas Colinas de Golã ocupadas com plano de expansão de colonatos de 334 milhões de dólares

 

Israel aprovou um plano de 334 milhões de dólares para expandir os colonatos ilegais nas Colinas de Golã ocupadas, numa medida que a Human Rights Watch (HRW) considera equivalente ao financiamento de crimes de guerra, de acordo com o direito internacional.

O plano, adotado pelo gabinete israelita a 17 de abril de 2026, visa aumentar significativamente o número de colonos israelitas no território, transformando o colonato existente de Katzrin naquilo que as autoridades descrevem como a “primeira cidade” de Golã.

“O gabinete de Israel colocou dinheiro público para financiar um crime de guerra na Síria, ao mesmo tempo que acelera a expansão dos colonatos na Cisjordânia, mantendo a impunidade pela violência contra os palestinianos naquela região”, disse Hiba Zayadin, investigadora sénior da Human Rights Watch para a Síria. “Uma transferência permanente de população para o território sírio viola as normas internacionais, com graves implicações para os sírios deslocados há muito tempo.”

De acordo com o direito internacional humanitário, a transferência da população civil de uma potência ocupante para o território ocupado é proibida e constitui um crime de guerra, nos termos do artigo 49.º da Quarta Convenção de Genebra.

Israel ocupou as Colinas de Golã sírias em 1967 e impôs unilateralmente as suas leis ao território em 1981, uma ação amplamente considerada uma anexação de facto. O Conselho de Segurança das Nações Unidas declarou esta ação “nula e sem efeito” na Resolução 497, afirmando que o território continua ocupado ao abrigo do direito internacional.

Tal como os palestinianos que sofreram limpeza étnica durante a Nakba foram impedidos de regressar às suas casas, Israel tem impedido o regresso dos sírios deslocados, ao mesmo tempo que destrói sistematicamente centenas de aldeias e terras agrícolas. Os deslocados, juntamente com os seus descendentes, são agora centenas de milhares.

O novo plano surge no meio de uma expansão das operações militares israelitas no sul da Síria, após a queda do governo de Bashar al-Assad. A Human Rights Watch documentou deslocações forçadas, destruição de casas e terras agrícolas, e o estabelecimento de posições militares destinadas a impedir o regresso de residentes sírios.

Os analistas afirmam que a expansão das Colinas de Golã faz parte de um padrão mais vasto de anexação ilegal e de engenharia demográfica em toda a região. Na Cisjordânia ocupada, Israel acelerou a expansão dos colonatos a um ritmo sem precedentes, aprovando dezenas de novos colonatos e aumentando drasticamente o seu número total desde 2022.

Ao mesmo tempo, as forças israelitas expandiram as operações para o sul do Líbano, deslocando centenas de milhares de pessoas e sinalizando que os residentes podem ser impedidos de regressar por tempo indeterminado.

A Human Rights Watch apelou à União Europeia, ao Reino Unido e a outros Estados para que respondam suspendendo os acordos comerciais com Israel, proibindo o comércio com colonatos ilegais e interrompendo as transferências de armas. Exortou ainda os procuradores de países terceiros a prosseguirem investigações criminais contra as autoridades israelitas ao abrigo da jurisdição universal.

“A UE tem ferramentas poderosas à sua disposição, mas recusa-se a utilizá-las”, disse Zayadin. “O plano de Israel é o resultado previsível quando uma potência ocupante está confiante de que a sua impunidade se vai manter.”

A organização observou ainda que as empresas envolvidas na construção ou prestação de serviços em colonatos correm o risco de serem cúmplices de crimes de guerra, corroborando descobertas anteriores relacionadas com os colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada.

Fonte: Middle East Monitor, 30 de abril de 2026

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