Israel vai gastar 730 milhões de dólares em propaganda enquanto a sua imagem global se desmorona devido ao genocídio em Gaza
Israel prepara-se para gastar quase 750 milhões de dólares
no seu aparelho de propaganda, num sinal de crescente alarme em Telavive sobre
o colapso da sua reputação global após o genocídio em Gaza e a expansão das
guerras por toda a região.
De acordo com o The Jerusalem Post, o orçamento de
diplomacia pública de Israel, conhecido em hebraico como hasbara, subiu para
730 milhões de dólares, mais de quatro vezes os 150 milhões de dólares
atribuídos no ano anterior. Esta quantia anterior já era cerca de 20 vezes
superior aos gastos de Israel com tais esforços antes de 2023.
O grande aumento foi incluído no orçamento nacional de
Israel, aprovado em março, e será gerido pela direção nacional de diplomacia
pública, que supervisiona os esforços para moldar a opinião pública
estrangeira.
O aumento dos gastos com propaganda ocorre numa altura em
que Israel é cada vez mais visto pelos críticos e pelas organizações de
direitos humanos como um Estado pária.
O aumento do orçamento parece refletir o receio israelita de
que a capacidade do país para contar com o apoio político ocidental esteja a
diminuir. Isto é particularmente verdade nos EUA, o aliado mais importante de
Israel e o seu principal fornecedor de armas, onde o apoio público caiu drasticamente.
Uma sondagem do Pew Research Center, publicada em abril,
revelou que 60% dos adultos norte-americanos têm agora uma visão desfavorável
de Israel, um aumento face aos 53% do ano passado e quase 20 pontos percentuais
acima do registado em 2022. Apenas 37% têm uma visão favorável de Israel.
Esta mudança atinge importantes setores da sociedade
americana. O Pew apurou que 80% dos democratas e independentes com tendência
democrata têm agora uma visão desfavorável de Israel, enquanto 57% dos
republicanos com menos de 50 anos também partilham desta visão negativa.
A Gallup registou uma tendência semelhante. A sua sondagem
de fevereiro constatou que a simpatia dos americanos já não está claramente
virada para Israel, com 41% a afirmarem simpatizar mais com os palestinianos e
36% com os israelitas. A Gallup afirmou que a avaliação favorável de Israel
caiu para perto do seu mínimo histórico, enquanto a avaliação dos Territórios
Palestinianos atingiu um novo pico.
A crise gerou uma preocupação aberta dentro do próprio
establishment político israelita. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional
de Telavive alertou para uma “crise crescente” na posição de Israel nos EUA,
apontando para o declínio do apoio entre os americanos mais jovens, os
democratas, os republicanos mais jovens e partes da comunidade judaica.
Um relatório separado citou o crescente isolamento
diplomático e da opinião pública e alertou para um “boicote económico gradual”,
à medida que as empresas, instituições académicas e organizações da sociedade
civil se tornam mais relutantes em manter laços com Israel.
O ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel respondeu
expandindo a sua máquina de comunicação. O ministro dos Negócios Estrangeiros,
Gideon Sa’ar, supervisionou a criação de uma unidade dedicada a moldar as
narrativas internacionais, enquanto os fundos teriam sido direcionados para
campanhas digitais, delegações estrangeiras, contacto com influenciadores e
redes de defesa pró-Israel.
Israel contratou uma empresa ligada ao ex-estrategista da
campanha de Trump, Brad Parscale, para conduzir uma campanha pró-Israel nas
redes sociais, tendo pago à empresa 9 milhões de dólares e renovado o contrato.
Os relatórios apontam também para uma "sala de guerra
mediática" centralizada, que monitoriza a cobertura de Israel em centenas
de meios de comunicação e acompanha milhares de menções diárias. Os gastos
adicionais terão sido direcionados para redes evangélicas, empresas privadas de
relações públicas e campanhas dirigidas a universidades, influenciadores e ao
público jovem.
A magnitude dos gastos sugere que Israel encara a sua imagem
deteriorada não apenas como um problema de relações públicas, mas como uma
ameaça estratégica. A supremacia militar de Israel depende, desde há muito, do
apoio político, diplomático e militar dos governos ocidentais, especialmente de
Washington. Se a opinião pública ocidental passa a ver Israel cada vez mais
como um Estado genocida, praticante de apartheid e expansionista, manter o
apoio incondicional torna-se mais difícil para os líderes eleitos.
Fonte: Middle East Monitor, 6 de maio de 2026

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