Médicos britânicos avisam que o uso das redes sociais é tão prejudicial como o tabaco
O
governo britânico realiza desde março uma consulta pública sobre possíveis
restrições à utilização das redes sociais por menores de 16 anos, antes de
decidir que medidas irá implementar
A utilização das redes
sociais representa uma ameaça tão grande para a saúde dos jovens como o
tabagismo, segundo os médicos da Academia de Faculdades de Medicina
do Reino Unido, indicou esta terça-feira a televisão pública britânica BBC.
Na resposta a um pedido do governo para que se pronunciasse
sobre a utilização das redes sociais pelos menores de 16 anos, a instituição
defendeu que, sempre que atendem os jovens, os
médicos os devem questionar sobre o tempo passado em frente aos ecrãs e o uso
das redes sociais.
Em declarações à BBC, a pedopsiquiatra Emily Sehmer disse
que os perigos do uso excessivo das redes sociais são "piores" do que
os do tabagismo e enfatizou a importância de os profissionais de saúde
questionarem os jovens sobre a sua utilização sem julgamentos.
"Não podemos saber a dimensão do problema se não
perguntarmos", salientou, citada pela agência noticiosa espanhola EFE.
O governo britânico realiza desde março uma consulta pública
sobre possíveis restrições à utilização das redes sociais por menores de 16
anos, antes de decidir que medidas irá implementar.
A Academia afirma que devem
existir orientações para os médicos sobre como detetar qualquer utilização
inadequada ou prejudicial das redes sociais
e dos conteúdos online.
A ministra da Ciência, Inovação e Tecnologia britânica, Liz
Kendall, disse à BBC que as novas medidas serão implementadas antes do final do
ano.
Em Portugal, o parlamento aprovou em fevereiro uma proposta
do PSD para impedir o acesso livre às redes sociais por menores de 16 anos,
podendo os que têm 13 anos ou mais aceder com consentimento dos pais. A
proposta passou à discussão na especialidade.
Além disso, desde setembro de 2025, os alunos das escolas
portuguesas até ao 6.º ano de escolaridade estão impedidos de levar smartphones
para as escolas.
Em França também foi aprovada legislação para combater a
exposição das crianças aos ecrãs e às redes sociais, prevendo que os menores
entre os 13 e os 16 anos obtenham autorização parental para se registarem
nestas plataformas.
A Austrália proibiu, desde 10 de dezembro de 2025, o acesso
às redes sociais a menores de 16 anos.

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