Montenegro de visita à Alemanha. "Aquilo que o Irão está a fazer é inaceitável"
O primeiro-ministro português está em visita oficial à
Alemanha para reforçar o diálogo político e as relações económicas, num momento
considerado crítico para a União Europeia. Reconhecendo que é "uma grande
preocupação" o conflito no Médio Oriente, Luís Montenegro voltou a
defender que a "via diplomática e negocial tem de ser absolutamente
respeitada e incrementada".
Fonte: RTP, 5 de maio de 2026
Montenegro e Merz defendem pressão diplomática sobre
Teerão e alertam para impacto no estreito de Ormuz
Primeiro-ministro
português lembra que “os conflitos resolvem-se quando há capacidade de diálogo
entre as partes envolvidas”
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e o
chanceler alemão, Friedrich Merz, defenderam esta terça-feira em Berlim uma
resposta coordenada de pressão diplomática e contenção política face ao Irão,
alertando para os impactos económicos e de segurança associados à instabilidade
no Médio Oriente.
Numa conferência de imprensa conjunta, Montenegro afirmou
que “os conflitos resolvem-se quando há capacidade de diálogo entre as partes
envolvidas”, sublinhando que Portugal tem mantido uma posição assente na via
diplomática e negocial.
Ainda assim, considerou que “o
que o Irão está a fazer é inaceitável, do
ponto de vista da obtenção de potencial nuclear em termos militares,
e absolutamente inaceitável nas consequências para o comércio internacional
(...) e dos ataques que não obedecem a critério que se compreenda com todos os
países da região”.
O primeiro-ministro português acrescentou que a Europa deve
reforçar a sua postura diplomática e política, defendendo que “a Europa deve
reafirmar a força dos argumentos numa relação de diálogo, de negociação e de
concretização daquilo que é acordado”.
Por seu lado, Merz alertou para o impacto económico da crise
no estreito de Ormuz, afirmando que “o bloqueio iraniano no estreito de Ormuz
afeta as economias alemã e portuguesa e temos de nos empenhar para que as vias
marítimas estejam desimpedidas”, defendendo o aumento da pressão sobre Teerão.
“Defendi o aumento das sanções a Teerão caso continue o
bloqueio (…). O Irão tem de sentar-se à mesa e
negociar”, realçou o chanceler alemão, acrescentando que Berlim está
em coordenação com Washington sobre a resposta ao dossier iraniano.
Luís Montenegro foi recebido por Friedrich Merz esta
terça-feira à tarde na Chancelaria com guarda de honra. Depois da conferência
de imprensa conjunta, os dois seguiram para uma
reunião a sós. Está também previsto um encontro entre as delegações
dos dois países com a presença do ministro da Economia e Coesão Territorial,
Manuel Castro Almeida.
A Alemanha é a maior economia da União Europeia, o terceiro
principal cliente de Portugal e o segundo fornecedor, sendo que, entre 2021 e
2025, as exportações portuguesas de bens e serviços para aquele país cresceram,
em média, 12,9%, enquanto as importações aumentaram 7,1%.
Após o encontro, Montenegro e Merz participam no
“Wirtschaftstag”, uma das principais conferências económico-políticas da
Alemanha, organizada pelo Wirtschaftsrat der CDU, que reúne cerca de 3000
empresários.
Esta associação empresarial está ligada historicamente ao
espaço político da União Democrata-Cristã (CDU), partido do atual chanceler
alemão, mas é juridicamente independente.
Segundo a mesma fonte, o convite para a participação do
primeiro-ministro português partiu do próprio chanceler alemão, “sendo
interpretado como um sinal do interesse em aprofundar as relações bilaterais”.
O evento, que decorre a 4 e 5 de maio em Berlim, reúne
líderes políticos e empresariais europeus para debater o futuro da economia, da
indústria e do investimento, contando com a presença de responsáveis de
empresas como Siemens, Deutsche Bank e BASF.
O programa do primeiro-ministro inclui ainda um discurso no
evento, antes do regresso a Lisboa ao final da noite.
Fonte: CNN Portugal, 5 de maio de 2026
O Irão é atacado — e, num conhecido truque mediático, apresentado como responsável pelo próprio ataque. “Sentar-se à mesa para negociar” soa como a fórmula dos “dois Estados” na guerra contra Gaza: uma expressão oca, repetida vezes sem conta quando não há força política nem nada para oferecer.


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