"No more Mr. Nice Guy": Trump aconselha Teerão a "ganhar juízo rapidamente"
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a atacar o Irão
numa publicação na sua rede social, Truth Social, avisando o país de que deve
“organizar-se” e “ganhar juízo rapidamente”.
“O Irão não consegue organizar-se. Não sabem como assinar um
acordo não nuclear. É bom que ganhem juízo rapidamente!”, escreveu Trump.
A mensagem faz-se acompanhar de uma imagem gerada por
Inteligência Artificial do próprio presidente com uma metralhadora e rodeado de
explosões, com a legenda “No more Mr. Nice Guy”.
Fonte: CNN Portugal, 29 de abril de 2026
Donald Trump é o mais importante pensador da humanidade, o mais original, do nada extrai ouro. Do ar rarefeito (thin air) cunhou a expressão “tigre de papel”, agora na boca de comentadores e narradores.
A expressão “tigre de papel” (zhǐlǎohǔ, 紙老虎) é uma metáfora idiomática do chinês clássico que remonta, pelo menos, à literatura tardomedieval. É frequentemente associada ao romance Water Margin (水浒传), obra tradicionalmente datada do século XIV, embora fixada em versões posteriores durante a dinastia Ming. Em algumas dessas versões surge uma referência a um “tigre de papel” como imagem de algo que provoca medo sem possuir substância real, o que sugere a circulação precoce da metáfora no léxico vernacular.
A expressão descreve algo ou alguém que aparenta grande poder, mas que, na realidade, é frágil ou inofensivo. A sua presença em fontes ocidentais remonta ao início do século XIX: o missionário e lexicógrafo Robert Morrison registou-a no seu dicionário de chinês, traduzindo-a como paper tiger, tradução que viria a fixar-se. Poucos anos depois, o diplomata John Francis Davis voltou a mencionar a expressão, confirmando a sua inteligibilidade e uso corrente. A metáfora antecede, assim, de forma clara, a sua posterior apropriação política.
Foi com Mao Tsé-Tung que a expressão adquiriu fama e projeção internacional. Numa entrevista concedida em 1946 à jornalista Anna Louise Strong, Mao afirmou que “todos os reacionários são tigres de papel”, utilizando a metáfora para caracterizar forças que, apesar da aparência de poder, estariam condenadas pela dinâmica histórica. Circula, na literatura secundária e em relatos de carácter mais anedótico, a história de que, durante a tradução da entrevista de Mao Tsé-Tung, o intérprete Yu Guangsheng terá inicialmente vertido 纸老虎 como scarecrow (“espantalho”). Segundo essa versão, Mao ter-se-á oposto, sublinhando que um espantalho não transmite a mesma ideia de ameaça ilusória que um “tigre de papel”, sugerindo então a expressão paper tiger, que acabaria por se fixar no léxico político internacional. Em 1972, Kissinger elogiou pessoalmente Mao Tsé-Tung por ter criado um novo termo — "tigre de papel" — mas não sabia que não era uma criação original de Mao, mas sim originária do povo chinês. Mao não inventou o termo, mas foi decisivo na sua projeção global e na sua inscrição duradoura no vocabulário político da Guerra Fria.
A tradução inglesa paper tiger consolidou-se rapidamente nesse contexto e passou a integrar o vocabulário político global. Mao aplicou repetidamente a expressão aos Estados Unidos, ao imperialismo em geral e até à bomba atómica, que descreveu como “um tigre de papel”, enfatizando a discrepância entre poder aparente e vulnerabilidade estrutural. A difusão internacional da expressão foi amplificada pela propaganda chinesa das décadas de 1950 e 1960 e pela circulação do Pequeno Livro Vermelho.
Do ponto de vista simbólico, o “tigre de papel” combina dois elementos centrais da imagética chinesa: o tigre, tradicionalmente associado à força, à ferocidade e ao poder, e o papel, que evoca fragilidade e efemeridade. A justaposição produz uma imagem de poder ilusório — algo que parece ameaçador, mas que não resiste ao primeiro embate, “ao vento e à chuva”, como o próprio Mao frequentemente sugeria.
Também de uma cartola vazia, Donald Trump tira outra já histórica expressão “No more Mr. Nice Guy”.
Também do mesmo nada, inventou uma dança icónica de / para festas nos meios sociais mais exclusivos com financistas, modelos, intelectuais, políticos, a nata entre os foliões.
Mas a sua criação mais arrojada é a expressão “tenho todo o tempo do mundo” que esticou a esperança de vida dos velhos de 80 anos.


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