Rússia nomeia para comissária suspeita de auxílio em rapto

 

A Duma russa nomeou Yana Lantratova para o cargo de Comissária dos Direitos Humanos. A deputada russa do partido Rússia Justa é suspeita de ter auxiliado no rapto de duas crianças ucranianas de Kherson, que foram adotadas de forma ilegal por famílias russas.

Segundo meios como o New York Times e o The Times, após a eleição de quinta-feira, no cargo de Comissária dos Direitos Humanos, Lantratova, de 37 anos, reportará diretamente a Vladimir Putin.

De acordo com o centro de direitos humanos Zmina, uma organização não-governamental ucraniana, a agora comissária é suspeita de ter tido um papel de destaque na adoção ilegal de duas crianças em 2022 — Marharyta Prokopenko, então com dez meses, e Illya Vashchenko, de dois anos. As crianças foram transferidas ilegalmente de Kherson para Moscovo, de acordo com informação dos SBU, os serviços de segurança da Ucrânia, avança o New York Times.

A imprensa estatal russa deu outra versão: a deputada Lantratova e Inna Varlamova, a mulher do líder do Rússia Justa, estariam a “ajudar a evacuar” um orfanato em Kherson.

A menina terá sido adotada ilegalmente pela família de Sergei Mironov, líder do Rússia Justa, passando a usar o apelido Mironov. Terá sido feita uma nova certidão de nascimento, com Podolsk, nos arredores de Moscovo, como local de nascimento da menina.

A Ucrânia acusou a Rússia de ter enviado de forma ilegal quase 20 mil crianças ucranianas para território russo e bielorusso desde o início da invasão, em fevereiro de 2022. Em março, uma comissão das Nações Unidas identificou pelo menos 1205 casos de crianças retiradas de territórios ucranianos, nota o The Times. A maior parte destes menores residiria nas zonas de Lugansk e Donetsk, territórios que foram ocupados pela Rússia.

Yana Lantratova ganhou espaço através da ala jovem da política russa. No ano passado, de acordo com o Moscow Times, Lantratova esteve em destaque nas críticas às personagens de filmes de animação, jogos de vídeo e brinquedos ocidentais, dizendo que podem ter “um impacto destrutivo” nas crianças russas. Entre as personagens criticadas estavam Shrek, Grinch ou ainda os protagonistas do filme Monstros e Companhia. “Não parecem maus, mas têm tanto falhas físicas como de personalidades”, declarou a deputada, em contraste com “as boas” personagens dos filmes e séries russas.

Fonte: Observador, 18 de maio de 2026

O grande crime da ditadura russa foi não ter adotado as políticas da democracia israelita de transferir legalmente as crianças para o cemitério.

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