“Somos como piratas”: Trump gaba-se das operações da Marinha norte-americana durante o bloqueio ao Irão e afirma que “tomamos posse do petróleo”

 

“Carry on Jack” (1964), título em Portugal “Com jeito vai... Marujo”

“Virem o navio. Evacuem imediatamente a casa das máquinas.” E vê-se todos aqueles homens a sair dali de uma só vez — em segundos. Dispararam contra a casa das máquinas. Rebentaram-na. O navio parou. Usaram rebocadores. E depois nós desembarcámos em cima dele. Em cima de tudo o resto, aterrámos sobre ele e tomámos o controlo do navio. Ficámos com a carga, ficámos com o petróleo. É um negócio muito lucrativo. Quem diria que estaríamos a fazer isto? Somos como piratas.

Entre outras coisas, dão-nos imagens de satélite lindíssimas do que está a acontecer no mundo e, quando olhamos para o Estreito de Ormuz, vemos todos aqueles navios, toda aquela gente — uns a querer sair, outros a querer entrar — estão por todo o lado, como pequenas formigas, parecem um formigueiro. Centenas e centenas de navios. E nós temos uma marinha absolutamente incrível. Montámos um bloqueio — é um bloqueio.

E viram no outro dia um petroleiro enorme — levava mais de dois milhões de barris — a tentar furá-lo. E o jovem capitão do navio, de Annapolis… estes tipos parecem saídos de um casting. Podíamos pô-lo — ia dizer algo sobre o Tom Cruise. Ia dizer que era mais bonito e mais alto do que o Tom Cruise, mas não vou dizer isso porque ele é meu amigo. Não posso dizer isso.

Mas são mesmo como saídos de um casting. Podíamos levá-los para Hollywood agora mesmo — seriam estrelas de cinema. Mas viram-no a dizer: ‘Temos armas apontadas ao vosso navio. Virem o navio. Virem.’ E isto são altifalantes que ecoam pelo oceano — eles ouvem-nos a três quilómetros de distância.

‘Virem o navio. Virem o navio.’ E, de repente: ‘Sim… sim… vamos regressar ao Irão. Vamos voltar.’ E deram a volta. Demora uns 15 quilómetros a virar aquilo, sabem? Não é como dar a volta a uma bicicleta.

É coisa grande. E depois houve aquele outro caso que viram há quatro dias, em que iam embater no que chamamos uma parede de ferro. É basicamente uma parede de ferro. Temos forças armadas incríveis e uma marinha extraordinária. E eles vinham diretamente, e foi dito: ‘Virem o navio.’ Não houve resposta. ‘Virem o navio. Evacuem imediatamente a casa das máquinas.’

E vê-se todos aqueles homens a sair dali. Nessa altura já estavam a cerca de oito quilómetros. Com um único disparo contra a casa das máquinas, destruíram-na. O navio parou. Usaram rebocadores. E depois desembarcámos em cima dele. E, além de tudo o resto, tomámos o controlo do navio. Ficámos com a carga, ficámos com o petróleo. É um negócio muito lucrativo. Quem diria que estaríamos a fazer isto? Somos como piratas — uma espécie de piratas.

Mas não estamos a brincar, porque, sabem, durante 47 anos o Irão tem andado a pressionar toda a gente. É o valentão do Médio Oriente. Tem intimidado todos: Israel, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait… todos eles. Ele tem sido o valentão do Médio Oriente. Eu compreendo isso.

George W. Bush cometeu um erro. Derrubou o Iraque.

E, já agora, felicito o novo presidente do Iraque. Eu apoiei-o. Agora estou no negócio de apoiar líderes políticos estrangeiros — países de que ninguém alguma vez ouviu falar. E temos um histórico praticamente infalível. Ganhámos muitos. Apoiei esse homem porque não gostávamos do presidente anterior do Iraque. E apoiámos alguém que pouca gente conhecia — e ele venceu por larga margem. Falei com ele ontem.

Mas as relações que temos são muito, muito fortes — relações poderosas. E penso que o Médio Oriente vai acabar por ser resolvido. Tivemos muitas conversas com os líderes — eu chamo-lhes os novos líderes, o novo regime. Diziam sempre: “a esquerda radical”, “onde está a mudança de regime?”. Bem, se isto não é mudança de regime, então não sei o que é, porque Ali Khamenei, no primeiro nível, desapareceu. O segundo nível desapareceu. Metade do terceiro nível também desapareceu — o que é um problema, porque estamos a tentar perceber com quem falar. Falamos com um e depois liga outro a dizer: “vamos fazer um acordo”.

Mas estamos — eu sei que estamos — numa posição muito forte. Há aquela expressão que todos já ouvimos: se isto fosse uma luta, já a teriam interrompido. Ainda assim, o exército deles… ainda têm alguns mísseis. Ainda têm alguma capacidade de os fabricar. Destruímos cerca de 85% da capacidade de produção de novos mísseis. Cerca de 82%. Mas isso significa que ainda têm mísseis. Destruímos a maior parte das fábricas de drones, mas ainda têm alguma capacidade — e os drones são bastante eficazes.

Entretanto, também desenvolvemos novas capacidades. Se se lembram, os submarinos alemães eram um terror — ninguém os conseguia parar. E, de repente, surgiu o sonar, e passou de impossível de travar para o pior lugar do mundo ser dentro de um submarino. A nossa capacidade anti-drone agora é fantástica. Temos novas armas — lasers. Vê-se o laser: atinge e simplesmente queima, faz “boom”. Temos isso, e temos metralhadoras muito especiais, com munições de grande calibre, operadas por computador. À medida que os alvos se aproximam, são abatidos — é impressionante.

Mas, dito isto, continua a haver perigo. Há sempre perigo na guerra. Na guerra, nunca se sabe o que vai acontecer. Olhem para a Rússia — supunha-se que seria uma guerra de um dia, e já dura há quatro anos. É uma guerra terrível, com muita gente morta. No mês passado tiveram 25 mil soldados, na sua maioria soldados mortos. Aquilo é um banho de sangue. E acredito que vamos resolver isso. Já resolvemos oito guerras — esta deverá ser a nona. Acho que vamos conseguir. Mas é difícil. Muito difícil.

Mas esta noite estamos acompanhados por muitos amigos meus e por pessoas muito distintas — excelentes pessoas. A presidente da câmara de Palm Beach, Danielle Moore. Onde está a Danielle?

Onde estás, Danielle? Olá, Danielle. Como estás? Uma pessoa extraordinária. Estamos a trabalhar em algumas coisas — digamos, relacionadas com água de qualidade. Um bom produto de água, certo? Como a dessalinização.

Eu disse: “Danielle, porque não podemos ser como um submarino?” Temos a melhor dessalinização. Temos os melhores submarinos do mundo. Podemos passar anos debaixo de água — submarinos nucleares — e uma das coisas que temos é água excelente a bordo, graças à dessalinização. Portanto, pensei: como seria isso para Palm Beach? Estamos a analisar. Vamos experimentar e ver.

Seria fantástico do ponto de vista de uma água incrivelmente limpa e pura. Seria ótimo. Por isso, estamos a trabalhar com a Danielle e com o conselho municipal, e acho que algo vai surgir — seja filtragem ou dessalinização. A dessalinização é um pouco melhor e também bastante mais cara. Tudo o que é usado pela marinha é o mais caro.

Mas pensem: eles podem ficar indefinidamente num submarino. Um submarino nuclear pode navegar praticamente à velocidade máxima durante 35 anos sem reabastecer. Conseguem imaginar? A uma velocidade muito elevada. Temos os melhores submarinos do mundo — ninguém sequer se aproxima. Estamos 15 anos à frente de qualquer outro.

Temos as melhores forças armadas do mundo. Eu reconstruí-as. Reconstruí-as no meu primeiro mandato, e não pensei que fosse utilizá-las tanto no segundo, mas há coisas que têm de ser feitas. Foi triste o que aconteceu no Afeganistão — parte do equipamento foi deixado para trás, o que nunca deveria ter acontecido.

Queríamos sair — e teríamos saído de forma simples. Teríamos vencido e depois saído com orgulho. Deixámos algum equipamento militar, mas foi apenas uma pequena percentagem. Parece muito — e é — mas representava cerca de 2% do que tínhamos construído. Construímos um grande exército.

E os nossos submarinos funcionam com energia nuclear — pensem nisso. Podem operar durante muitos anos sem parar. Têm capacidade de água ilimitada, Danielle. Ilimitada. A única coisa que não têm, sabem qual é? Comida. Têm de vir à superfície a cada 90 dias para reabastecer. É a única coisa que ainda não conseguimos resolver — algo tão simples.

Mas é realmente impressionante aquilo que conseguimos fazer com as forças armadas — e com muitas outras coisas.

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