Zelensky homenageia líder nacionalista ucraniano que colaborou com regime nazi

 

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, presidiu esta segunda-feira ao enterro de Andriy Melnik, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) durante a primeira metade do século XX, que estava anteriormente sepultado no Luxemburgo.

Os seus restos mortais foram transferidos para o cemitério construído em Kiev para sepultar soldados ucranianos mortos em combate.

"O coronel Andriy Melnik regressou a uma Ucrânia diferente, não aquela que foi forçado a deixar, mas aquela com que sonhou", escreveu Zelensky nas redes sociais.

Melnik foi eleito líder da OUN em 1938 e, após a cisão na liderança durante a Segunda Guerra Mundial, continuou a liderar um dos grupos dissidentes da organização, recordada na Ucrânia sobretudo pela sua luta contra o domínio soviético, enquanto a outra foi encabeçada por Stepan Bandera.

Numa dos períodos mais controversos do seu percurso, o líder nacionalista colaborou com a Alemanha nazi em certas fases da guerra, embora tenha acabado por ficar em prisão domiciliária por ordem dos próprios alemães, que se opunham à criação de um Estado ucraniano, e depois foi enviado para o campo de concentração de Sachsenhausen.

Os defensores do seu legado explicam a colaboração com o Terceiro Reich como uma necessidade puramente tática para alcançar as aspirações de independência da Ucrânia.

Os seus detratores contrapõem com um suposto alinhamento ideológico com o nacional-socialismo e responsabilizam-no por alguns dos massacres de judeus e polacos perpetrados por nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial.

Mellik integrou as fileiras dos nacionalistas ucranianos que, na guerra entre 1917 e 1921, combateram os comunistas e os czaristas russos, e ocupou o cargo de chefe do Estado-Maior durante a República Popular da Ucrânia.

Também lutou contra o domínio polaco na Ucrânia Ocidental, onde são atribuídos a nacionalistas ucranianos massacres que permanecem como uma ferida nas relações entre os dois países.

De acordo com a Igreja Greco-Católica, citada pela imprensa ucraniana, foi realizada uma missa em memória de Melnyk e da sua mulher, Sofia, antes de ambos serem sepultados lado a lado em Kiev.

Os seus restos mortais encontravam-se anteriormente no Cemitério do Luxemburgo, onde Melnik foi sepultado em 1964, após ter morrido no exílio.

Zelensky anunciou recentemente que o seu governo planeia repatriar para a Ucrânia os corpos de vários líderes ucranianos e de outras figuras proeminentes que morreram no exílio.

A medida é suscetível de críticas por parte das organizações de memória do Holocausto e de criar atritos com a Polónia, que tem condenado repetidamente a glorificação, na Ucrânia, de figuras envolvidas na morte de civis polacos durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao lançar a sua invasão na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Rússia assinalou entre os seus objetivos a "desnazificação" do país vizinho, uma medida interpretada com o desejo de trocar as autoridades de Kiev por outras favoráveis aos interesses de Moscovo, invocando ao mesmo tempo as memórias históricas da Segunda Guerra e da proteção das minorias russas.

Mais de quatro anos depois, a guerra prossegue sem avanços de relevo nas frentes de combate no leste e sul da Ucrânia, nem nas negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos.

Fonte: Expresso, 25 de maio de 2026

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