Zuckerberg justifica monitorização de funcionários para treinar IA e fala em despedimentos
Mark Zuckerberg confirmou que a Meta está a rastrear
cliques, movimentos do rato e digitação dos funcionários nos computadores
usados no trabalho, numa reunião com a equipa na passada quinta-feira (30).
Durante o encontro, esclareceu também os motivos por trás dessa prática.
Como relatou o The Information, que teve acesso à
gravação da conferência, o executivo afirmou que as atividades realizadas pelos
trabalhadores constituem uma “valiosa fonte de dados para treino” de
inteligência artificial (IA). Esse material seria bastante superior ao
fornecido por fontes externas.
A gerar modelos mais eficientes
Ao afirmar que os funcionários da Meta são
significativamente mais qualificados do que a média dos trabalhadores das
empresas concorrentes, o líder da empresa destacou que os dados gerados por
eles são usados exclusivamente para treinar IA. A monitorização levantou
preocupações relacionadas com a privacidade.
• “Estamos
numa fase em que, basicamente, os modelos de IA aprendem observando pessoas
muito inteligentes a fazer coisas”, disse;
• De seguida, comentou a importância de
permitir que a tecnologia observe pessoas com elevado nível de conhecimento a
trabalhar;
• Segundo ele, essa abordagem resultará no
desenvolvimento de modelos com um desempenho muito superior aos criados por
marcas rivais;
• Assim, negou que a monitorização sirva
para medir a produtividade durante o horário de trabalho, afastando rumores
sobre o tema.
De acordo com uma reportagem da Reuters, a empresa detentora
do Facebook e do Instagram adicionou uma ferramenta denominada Model Capability
Initiative (MCI) aos computadores utilizados nos escritórios nos Estados
Unidos. Esta pode registar a interação com as máquinas.
O mecanismo funciona apenas em páginas e aplicações
relacionadas com o trabalho, como refere a reportagem, monitorizando o uso de
atalhos de teclado, seleções em menus suspensos e outras ações. Em certos
casos, pode também capturar imagens do ecrã.
Possibilidade de novos despedimentos
Ainda na reunião, Zuckerberg abordou outro tema sensível: a
possibilidade de novas rondas de despedimentos em 2026. O CEO afirmou que a
automatização por IA não é o principal fator por detrás das dispensas.
Ao mesmo tempo, referiu que a gigante tecnológica planeia
investir mais em agentes de IA para uso pessoal e empresarial, com a
disponibilização de até 50 novas aplicações. Isso implicará uma reestruturação
das equipas, permitindo impulsionar essas iniciativas.
Quem também se pronunciou foi a diretora de recursos humanos
da Meta, Janelle Gale. Esta não excluiu a possibilidade de novos despedimentos,
alegando que “as prioridades mudam” e referindo a necessidade de gerir os
custos da empresa de forma responsável.
Num documento divulgado no mês passado, a empresa informava
sobre o despedimento de 10% da sua força de trabalho em maio, afetando cerca de
7800 pessoas. As dispensas deverão ser formalizadas no próximo dia 20.
Fonte: TecMundo, 5 de maio de 2026

Comentários
Enviar um comentário