"Frugais". Seis países rejeitam aumento de 60% proposto por Bruxelas
Laura Sommaruga
Os seis
Estados-membros da União Europeia (UE) conhecidos como "frugais"
reclamaram hoje uma redução, "em várias centenas de milhares de milhões de
euros", no plano de orçamento plurianual proposto pela Comissão Europeia
para 2028-2034
"A União Europeia deve fazer escolhas claras e
redefinir as suas prioridades orçamentais, tal como fazemos nos nossos
países", afirmam, num comunicado conjunto, Alemanha, Áustria, Dinamarca,
Finlândia, Países Baixos e Suécia, num dia em que líderes de quatro destes
países se reuniram em Berlim, a convite do chanceler alemão, Friedrich Merz,
com os outros dois a participarem por videoconferência.
Em vésperas de discussões que se esperam muito acaloradas entre os 27 em torno do próximo orçamento plurianual, e numa altura em que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, realiza já um périplo pelas capitais europeias para ouvir as posições dos líderes europeus sobre o orçamento da União até 2034, que espera ver acordado na cimeira de dezembro próximo, Merz recebeu líderes dos três países "frugais", também denominados "falcões" orçamentais.
Liderados por Berlim, os países "frugais", que,
pela sua riqueza, são contribuintes líquidos para o orçamento comunitário, o
que significa que pagam mais do que aquilo que recebem em retorno direto dos
fundos europeus, tentam definir uma posição comum, tendo sido esse o 'menu' de
um almoço de trabalho que juntou Merz, o chanceler austríaco Christian Stocker,
a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o primeiro-ministro
finlandês Petteri Orpo, tendo Países Baixos e Suécia participado por videoconferência.
"Nós seis financiamos
cerca de 40% do orçamento europeu. Não somos mesquinhos, mas
este tipo de repartições proposto pela Comissão simplesmente não se adequa aos
nossos tempos", destacou Merz numa conferência de imprensa em Berlim na
presença dos seus homólogos finlandês, austríaco e dinamarquês, na qual defendeu então cortes "em várias centenas de milhões
de euros, de forma equilibrada", na proposta orçamental de
Bruxelas.
Os seis Estados-membros rejeitam qualquer aumento das
despesas públicas, tal como proposto pela Comissão Europeia para o orçamento da
UE para o período de 2028 a 2034: o executivo comunitário liderado por Ursula von der Leyen sugeriu uma dotação total de 2
biliões de euros, dos quais 33,5 mil milhões caberiam a Portugal.
A proposta da Comissão representa um aumento significativo,
de cerca de 60%, em relação ao orçamento plurianual em vigor, o que Bruxelas
justificou com a necessidade de financiar as prioridades relacionadas com a
defesa, a transição ecológica e a competitividade.
"Simplesmente não podemos dar-nos ao luxo de aumentos
exorbitantes nas despesas", numa altura em que a UE está a envidar
"esforços consideráveis para consolidar as finanças públicas",
reiterou hoje Merz.
Durante uma cimeira dos 27 em junho, Merz também se opôs
frontalmente ao presidente francês, Emmanuel Macron, que pretende recorrer ao
endividamento para ajudar a financiar o futuro orçamento.
Os líderes europeus pretendem chegar a uma posição comum até
ao final do ano – antes de eleições previstas para vários Estados-membros em
2027 e que podem ditar mudanças radicais no Conselho Europeu –, devendo
discutir o plano orçamental em três cimeiras previstas até ao fim de 2026.
Fonte: Notícias ao Minuto, 27 de agosto de 2026
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
Comentários
Enviar um comentário