Surpresa na NASA: a busca por vida extraterrestre vai mudar após uma descoberta inédita em águas termais
JoEll Perry, influenciadora digital e criadora de conteúdos
de estilo de vida sediada em Miami
Ao estudar a temperatura e as condições ambientais de outros
planetas, os investigadores tentam determinar que tipo de seres vivos poderão
existir nesses planetas. Em muitos casos, estas análises serviram para
descartar a presença de organismos complexos, mas existem formas de vida muito
mais resistentes. Trata-se dos extremófilos,
na sua maioria microrganismos capazes de sobreviver em condições que, até há
pouco tempo, eram consideradas incompatíveis com a vida: temperaturas de
ebulição, frio glacial ou níveis extremos de acidez.
O recorde é detido por uma arqueia
hipertermófila, um microrganismo das profundezas oceânicas capaz de
se reproduzir a 122º C. Descrito em 2008, sabe-se que pertence ao grupo dos
procariotos. Este dado é relevante porque, ao não possuir um núcleo celular
rodeado por uma membrana, a sua estrutura é relativamente simples e resistente.
As células eucariotas, por outro lado, possuem uma organização muito mais
complexa e, por isso, pensava-se que dificilmente conseguiriam suportar
temperaturas superiores a 60º C. Até agora.
Esta terça-feira, a NASA confirmou a descoberta de uma ameba de fogo (Incendiamoeba
cascadensis), um microrganismo descoberto nas águas termais do Parque Nacional
Vulcânico de Lassen, na Califórnia, capaz de se reproduzir a 63º C. Trata-se de
um recorde para os organismos eucariotas, uma vez que o limite conhecido até
agora rondava os 60º C e correspondia a certos fungos e algas vermelhas.
"O estudo dos organismos extremófilos ajuda-nos a
compreender melhor as limitações bioquímicas e fisiológicas da vida tal como a
conhecemos na Terra", explicou Alison Olcott, cientista da NASA. A
descoberta alarga os limites do que os investigadores consideravam possível
para as formas de vida complexas.
Os astrobiólogos estudam os extremófilos porque estes
oferecem pistas sobre como os organismos poderiam sobreviver noutros mundos com
condições radicalmente diferentes das terrestres. Um dos exemplos mais
conhecidos encontra-se em Huelva, na vizinha Espanha, onde as características químicas do rio Tinto levaram a
que fosse comparado com Marte. Além disso, estes microrganismos
produzem proteínas únicas que poderão ter aplicações relevantes em áreas como a
biotecnologia e a medicina.
A equipa de investigadores, liderada por Beryl Rappaport, da
Universidade de Siracusa, estava a estudar o lago Boiling Springs quando
encontrou um pequeno ribeiro de águas transparentes e pH neutro que não
constava dos seus planos iniciais. Decidiram recolher amostras e aproveitar as
condições do local para analisar mais facilmente a tolerância térmica dos
microrganismos presentes.
"Esta informação, por sua vez, ajuda a orientar a busca
por vida por parte da NASA, uma vez que alarga o leque de condições em que
consideramos que a vida poderia habitar noutros locais", assinalou Olcott.
A complexidade da vida continua a exigir cautela. Beryl
Rappaport, autora principal do estudo, concluiu: "Pode ser possível que
uma forma de vida complexa como a I. cascadensis sobrevivesse noutro planeta,
mas a Terra é o único planeta que conhecemos atualmente que reúne todos os
requisitos para que ela prospere. Não se trata apenas de uma questão de
temperatura. Um ambiente também requer o nível adequado de acidez, oxigénio e
pressão, bem como água e alimento. A I. cascadensis não conseguiria sobreviver
sozinha. Também precisa de outras formas de vida para subsistir."
Fonte: National Geographic Portugal, 23 de setembro de 2026

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