Cisjordânia. Colonos atacam comboio diplomático europeu e agridem autarca francês
Colonos israelitas atacaram um comboio de diplomatas
europeus que visitavam no sábado a Cisjordânia ocupada. O gabinete do
primeiro-ministro Benjamin Netanyahu denuncia o que diz ser uma "campanha difamatória" contra Israel e os
colonos. Segundo a agência France Presse, trata-se de Bernard
Baudoux, presidente da Câmara de Aulnoye-Aymeries, no norte de França. Num
vídeo, o autarca aparece caído no chão, encostado a um carro. No entanto, o
político francês não corre risco de vida após as agressões.
O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot,
condenou entretanto o ataque de colonos israelitas.
Segundo o MNE belga, o comboio diplomático europeu incluía
diplomatas franceses, polacos e belgas.
Maxime Prévot condenou "nos termos mais veementes
possíveis o ataque perpetrado por colonos mascarados em Taybeh, na Cisjordânia
ocupada, contra palestinianos, contra o nosso Cônsul-Geral, diplomatas
franceses e polacos, bem como representantes católicos".
"Um autarca francês foi atacado e um veículo belga foi
danificado. A nossa equipa está sã e salva", acrescentou.
Na sequência deste incidente, o ministro israelita dos
Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, "condenou veementemente estes graves
atos de violência", atribuindo-os a "manifestantes israelitas",
mas criticou os consulados europeus envolvidos por não coordenarem a visita com
o exército israelita.
Já o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
denunciou uma "campanha difamatória" contra Israel e os colonos na
Cisjordânia ocupada.
Fonte: RTP, 16 de outubro de 2026
EUA "muito preocupados" com imagens de fotojornalista agredida na Cisjordânia
O chefe da diplomacia norte-americana declarou que os
Estados Unidos estão "muito preocupados" com as imagens da agressão a
uma fotojornalista do Washington Post por colonos israelitas e apelou a Israel para tomar medidas contra
estes atos.
"Estamos muito preocupados com estas imagens",
afirmou no sábado Marco Rubio aos jornalistas antes de partir para uma visita
ao Uzbequistão e à Índia. "Apelámos aos israelitas - e continuamos a
apelar - para que tomem medidas firmes", acrescentou.
Heidi Levine, fotojornalista norte-americana do Washington Post, foi transportada para o hospital com fraturas nas vértebras. A agressão ocorreu quando fazia a cobertura da colheita da azeitona em Abu Falah, na Cisjordânia ocupada.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, exigiu no sábado que as autoridades israelitas
responsabilizem e detenham os colonos envolvidos no ataque que visou a
norte-americana.
“Atacar uma fotógrafa é um ato de terrorismo ignóbil
perpetrado por cobardes mascarados”, escreveu Huckabee na rede social X.
Na sexta-feira, a Associação da Imprensa Estrangeira em
Israel (FPA, na sigla em inglês) denunciou que a jornalista norte-americana sofreu "ferimentos moderados" e recebeu tratamento num hospital local devido a
pancadas infligidas em várias partes do corpo.
Segundo a organização, os colonos roubaram-lhe ainda o
passaporte, o telemóvel, a carteira e o equipamento profissional.
Num comunicado divulgado no sábado, o presidente de Israel,
Isaac Herzog, expressou “profundo pesar” e pediu desculpas a Heidi Levine, que
hoje foi operada à mão esquerda.
“Como presidente do Estado de Israel, condeno veementemente esta violência indignante e chocante, tanto o terrível ataque de que foi vítima como outros graves incidentes de violência, tais como o ocorrido hoje em Taybeh”, onde colonos agrediram um grupo de políticos e diplomatas de França, Bélgica e Polónia, afirmou Herzog no comunicado.
No mesmo texto, afirmou que “o comportamento desprezível dos
autores” do ataque a Heidi Levine “não representa os cidadãos nem os valores do
Estado de Israel” e acrescentou que as circunstâncias “estão a
ser investigadas minuciosamente” para julgar os responsáveis.
Na sexta-feira, o gabinete do primeiro-ministro israelita,
Benjamin Netanyahu, colocou em dúvida as circunstâncias do ataque de colonos
que feriu a fotojornalista norte-americana.
O ataque, que foi cometido por cerca de 50 colonos
israelitas contra palestinianos que participavam na apanha da azeitona,
provocou críticas de dirigentes da oposição israelita, que exigiram medidas
contra os responsáveis e chegaram a classificá-los como "terroristas
judeus".
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da
Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não
reconhecidas pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos e
mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia,
considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
A política de colonização tem sido mantida por sucessivos
governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual
executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo
impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 7
de outubro de 2023.
A violência também se agravou desde outubro de 2023, com
ataques quase diários de colonos judeus contra palestinianos.
Fonte: CNN Portugal, 18 de outubro de 2026

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