Diddy vive como um rei na prisão: tem reclusos para cozinhar, limpar e fazer-lhe massagens
Puff Daddy e
Faith Evans feat. 112 - I'll Be Missing You
O rapper norte-americano cumpre uma pena de 50 meses depois
de ter sido condenado por duas acusações relacionadas com o transporte de
pessoas entre estados para encontros sexuais.
Na prisão federal de Fort Dix, em Nova Jérsia, Sean 'Diddy' Combs é conhecido pelo número de recluso 37452-054. Mas, segundo vários homens que passaram pela mesma ala, a vida do rapper de 56 anos pouco tem de semelhante à rotina da maioria dos restantes presos.
De acordo com uma investigação da NBC News, o rapper
terá criado dentro da prisão uma espécie de pequena rede de serviços para seu
benefício.
Segundo a mesma fonte, o rapper terá reclusos que cozinham
para si, outros que limpam, fazem a cama ou tratam da roupa. Terá mesmo uma pessoa para lhe fazer massagens chinesas.
"Isso é coisa de rico”, descreveu um dos homens, sob
anonimato. “Parece loucura, mas, de novo, é o Diddy.”
A investigação baseia-se nos relatos de quatro antigos companheiros de cela e também em fotografias e vídeos feitos no interior da prisão e analisados pela NBC News. Numa dessas imagens, Combs surge a utilizar um telemóvel que terá entrado ilegalmente nas instalações.
A vida de luxo na prisão
P Diddy cumpre uma pena de 50 meses depois de ter sido
condenado por duas acusações relacionadas com o transporte de pessoas entre
estados para encontros sexuais.
Apesar da condenação, as fontes descrevem uma rotina marcada
por privilégios que, alegadamente, são comprados com dinheiro vindo de fora da
prisão.
Milhares de dólares por mês, segundo os relatos, terão sido
gastos para sustentar esse modo de vida. O dinheiro chegaria às contas do
refeitório de outros reclusos, que, em troca, lhe prestariam diversos serviços.
Entre eles estaria um homem responsável por limpar casas de
banho e duches antes de Sean Combs os utilizar. Outros preparariam refeições
especiais, como frango com caril, pizza ou empanadas, recorrendo a métodos
improvisados para cozinhar dentro da prisão.
Um dos homens que preparava comida contou que acabou por se
cansar das tarefas. Combs terá começado a recorrer a outros reclusos,
nomeadamente a um grupo de jamaicanos conhecido pela preparação de refeições.
O 'monopólio' do rapper não ficaria pela alimentação e pelas
tarefas domésticas. Segundo as fontes, haveria também presos encarregados de
guardar o seu telemóvel e a correspondência que recebe dos fãs.
Não é caso único
Diddy não é, contudo, a primeira figura conhecida a beneficiar de condições especiais durante uma passagem pela prisão.
O produtor cinematográfico Harvey
Weinstein, por exemplo, permaneceu num espaço privado na prisão de
Rikers Island, em Nova Iorque, com acesso a telefone, televisão e casa de banho
próprios, segundo o The City Reporter.
A nova vida na prisão
Transferido para aquele estabelecimento prisional a 30 de
outubro do ano passado, Diddy cumpre uma pena de quatro anos e dois meses de
prisão, depois de ter sido condenado por dois crimes relacionados com
prostituição.
Longe dos holofotes, o recluso número 37452-054 tinha assumido o papel de ajudante do capelão da prisão,
uma função cobiçada entre os reclusos, que inclui organizar a biblioteca
religiosa, limpar o escritório e ajudar nos registos administrativos.
Paralelamente, o rapper participava num programa intensivo
de reabilitação contra a dependência, imposto pela instituição.
Mas nem a nova rotina o poupou a sanções. Segundo a CBS
News, Combs terá realizado uma chamada telefónica não autorizada, alegando
tratar-se de um contacto com a sua equipa jurídica para discutir uma declaração
ao jornal The New York Times.
Esta infração poderá custar-lhe privilégios de 90 dias de
privilégios telefónicos e 90 dias de privilégios de acesso ao refeitório
Um caso mediático em Hollywood
O caso de Diddy tornou-se um fenómeno mediático global, não
apenas pela dimensão do artista, mas pelas denúncias que surgiram durante o
julgamento, iniciado em maio de 2025.
Os processos deram 'voz' a duas décadas de alegadas agressões, manipulação psicológica e abuso sexual. Entre as vítimas estão a cantora Cassie Ventura, ex-namorada do músico, e outra mulher identificada apenas como 'Jane'.
Cassie Ventura sem Diddy
Embora absolvido das acusações mais graves, tráfico sexual e
conspiração para extorsão, Diddy foi condenado a 50 meses de prisão e ao
pagamento de meio milhão de dólares. A pena ficou muito aquém do pedido da
acusação, que exigia 11 anos de prisão.
"Não tenho ninguém para culpar além de mim
próprio", declarou, em lágrimas, no tribunal de Nova Iorque, pedindo
desculpa às vítimas, à família e aos filhos: “Perdi a liberdade, os meus
negócios, a minha carreira e destruí a minha reputação.”
Por dentro de um submundo
As investigações revelaram um submundo de festas privadas, drogas e sexo, que
se prolongou durante duas décadas.
Uma realidade retratada em depoimentos que descrevem os
chamados freak-offs, maratonas sexuais em que
mulheres eram coagidas a manter relações sob o efeito de estupefacientes.
De acordo com a acusação, Diddy não apenas participava como
coordenava essas "cenas", por vezes registadas em vídeo.
Os fantasmas do passado
A indústria musical norte-americana, que em grande parte
escapou à vaga do movimento #MeToo, vê-se agora obrigada a enfrentar os seus
fantasmas.
Depois de R. Kelly,
condenado a 30 anos de prisão, o nome de Diddy juntou-se à lista de artistas
que foram condenados pelos seus atos no passado.
SIC Notícias, 2 de outubro de 2026




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