Israel acusa Comissão Independente da ONU de propaganda por relatório sobre Cisjordânia
O ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel classificou
hoje de "propaganda" o relatório de uma comissão de inquérito da ONU
que acusa o país de crimes contra a humanidade na Cisjordânia ocupada.
Este relatório "não é um
relatório sobre os direitos humanos, mas antes um documento de propaganda
desligado da realidade, que visa minar o direito de Israel de se
defender, deslegitimar o Estado judaico e legitimar o terrorismo jihadista
contra os seus cidadãos", afirmou a diplomacia israelita em comunicado.
A Comissão Independente da ONU que investiga os crimes nos
territórios palestinianos ocupados acusou hoje Israel de cometer crimes contra
a humanidade na Cisjordânia, incluindo "extermínio", mantendo as suas
acusações de genocídio em Gaza.
Num relatório a apresentar hoje à Assembleia Geral da ONU, a
comissão "conclui que as autoridades e forças israelitas cometeram crimes
contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo extermínio, tortura, violação e
outras formas de violência sexual, bem como perseguição, com base em
fundamentos discriminatórios sobrepostos, tendo como núcleo a nacionalidade, a
raça e a etnia".
As posições das comissões independentes criadas por órgãos
da ONU não refletem as da própria organização, tendo carácter temporário e
relacionado com uma questão específica.
As comissões Independentes da ONU são criadas por um órgão
da ONU, geralmente a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho dos
Direitos Humanos ou, nalguns casos, o próprio secretário-geral. O órgão
responsável pela criação define o mandato, o âmbito e o prazo da comissão.
Os membros atuam a título pessoal, e não como representantes
dos seus governos. São, em geral, escolhidos pela sua competência técnica ---
tratando-se, por exemplo, de juristas, ex-juízes ou especialistas em direitos
humanos.
No caso da comissão sobre os territórios palestinianos, os investigadores, que foram encarregados de analisar os assassinatos e danos físicos e psicológicos causados pelos agentes do Estado, apontam um grave aumento dos ataques aéreos israelitas contra a Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023, data do ataque do grupo islamita Hamas contra Israel que deu início à guerra.
Em relação aos crimes imputados a Israel, a comissão observa
que, enquanto entre 2018 e 6 de outubro de 2023
(um dia antes do ataque do Hamas) morreram seis palestinianos em ataques
aéreos, entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro deste ano, o número subiu
para 254.
A comissão denuncia ainda a
Autoridade Palestiniana pela
perseguição de palestinianos com opiniões divergentes e pela falha em
investigar de forma eficaz e imparcial as mortes ou ferimentos sofridos por
jornalistas e defensores dos direitos humanos em ações levadas a cabo pelas
forças de segurança palestinianas.
Fonte: RTP, 26 de outubro de 2026

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