Juiz pede meio milhão de euros a prostituta por difamação
Perry Mason (1957-1966) – Holly McIntire
A
ativista pela legalização da prostituição, Ana Loureiro, começou ontem a ser
julgada, no Tribunal de Lisboa, por ter acusado, em 2020, o juiz Joaquim Manuel
Silva de recorrer a prostitutas, enquanto assistia a vídeos de depoimentos de
crianças, vítimas de abusos sexuais. O magistrado, entretanto, ilibado das
acusações, exige agora uma indemnização de 500 mil euros pelos danos que diz
ter sofrido. Na primeira sessão, a mulher afirmou estar arrependida de ter
identificado o juiz, enquanto este admitiu que as denúncias possam ter sido uma
vingança
O caso começou numa audição na Assembleia da República, onde
Ana Loureiro, que foi proprietária de uma casa de prostituição em Lisboa, fez a
denúncia. O então presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, remeteu as
declarações à Procuradoria-Geral da República, por se tratar "de factos
que indiciam práticas que configuram crimes públicos". Mais tarde, em sede
de inquérito, Ana Loureiro identificou Joaquim Manuel Silva, então juiz no
Juízo de Família e Menores de Mafra.
Fonte: Jornal de Notícias, 19 de outubro de 2026
Juiz pede indemnização a prostituta que o acusou de
pornografia infantil
Julgamento
começa esta segunda-feira e o advogado Gameiro Fernandes é também alvo do juiz
jubilado. O magistrado foi ilibado de todas as acusações feitas por Ana
Loureiro
A dona de um bordel em Lisboa Ana Loureiro acusou, em 2020,
um juiz de recorrer a prostitutas enquanto ouvia relatos de crianças. O
magistrado apresentou um processo contra a mulher que lançou uma petição pela
legalização da prostituição e do lenocínio e exige-lhe uma indemnização de meio
milhão de euros, avança o jornal Público. Processo começa a ser julgado
esta segunda-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, pelas 14h. Entre os
arguidos está também o advogado Gameiro Fernandes.
A denúncia foi feita por Ana Loureiro numa audiência na
Assembleia da República. Afirmava que o magistrado utilizava serviços sexuais
na casa de prostituição que frequentava, enquanto tratava de processos que
envolviam crianças. Na altura, Ana Loureiro identificou o juiz e afirmou que
tinha outra testemunha que podia confirmar o seu depoimento. O seu depoimento
teve várias incongruências como se explicou na altura, já que os juízes não
recolhem depoimentos de testemunhas por videochamada fora do tribunal.
Apesar das aparentes incongruências, o então presidente da
Assembleia da República, Ferro Rodrigues, enviou um ofício à Procuradoria-Geral
da República (PGR) para dar conhecimento ao Ministério Público "de
afirmações de um pretenso conhecimento de factos que indiciam práticas que
configuram crimes públicos" na audição a Ana Loureiro.
Mais tarde Ana Loureiro identificou o juiz a quem se referia
como sendo Joaquim Manuel Silva que negou todas as acusações. "Não conheço a Ana Loureiro. Nunca fui à casa de
prostituição dela", afirmou o então juiz, colocado no Juízo de
Família e Menores do Tribunal de Mafra e, entretanto, jubilado. "Tudo isto
é uma injustiça enorme e alguém tem de pagar por isto".
O juiz foi ilibado das acusações em 2022 e o Ministério
Público desencadeou um novo processo-crime, desta vez contra Ana Loureiro. A
mulher é acusada de denúncia caluniosa, difamação agravada e falsidade de
testemunho em tribunal, segundo o diário.
No banco de tribunal estará também o advogado Gameiro Fernandes que o Ministério Público
acusa de ter inventado mentiras sobre a vida pessoal do magistrado.
À SÁBADO, o advogado afirma: "Esse senhor inventou uma tese de cabala que
me ligava a uma senhora Ana Loureiro que nunca vi nem conheço". Gameiro
Fernandes afirma ainda que a acusação é de difamação por " ter dito que
ele bebia e abusava de barbitúricos, facto que ele próprio confessou numa
entrevista que deu à Rádio Renascença".
Fonte: Sábado, 18 de outubro de 2026
Arranca julgamento de prostituta que acusou magistrado de
pornografia infantil: "Estive parado 14 meses"
O juiz
jubilado Joaquim Manuel Silva, ilibado das acusações, pede indemnização de meio
milhão de euros a Ana Loureiro por difamação
Começou esta segunda-feira, 19 de outubro, o julgamento de
Ana Loureiro, ex-acompanhante de luxo e dona de um bordel no Campo Grande, por,
segundo a acusação do Ministério Público, denúncia caluniosa, difamação
agravada e falsidade em testemunho contra o juiz do Tribunal de Menores e
Família Joaquim Manuel Silva. O magistrado exige uma indemnização de meio
milhão de euros.
O caso remete a a 2020, quando Ana Loureiro acusou o então
juiz do Tribunal de Família e Menores de Mafra, de recorrer a serviços de
prostituição para o satisfazerem sexualmente enquanto ouvia depoimentos de
menores através do telemóvel, acusações de que foi ilibado pela justiça em
2022. Na primeira audiência de julgamento foi ouvido apenas Joaquim Manuel
Silva, que relatou as consequências que o caso trouxe para a sua vida,
descrevendo a situação como “brutal” e que está a ser vítima de uma "cabala".
“Tentei trabalhar durante um ano e tal [depois das
acusações], mas a médica obrigou-me a ir para a baixa porque estava com uma
tensão muito alta. Parei durante 14 meses”, disse Joaquim Manuel Silva,
acrescentando ainda que esteve medicado para tratar da sua depressão e que o
psiquiatra apontou para o risco de poder vir a tirar a própria vida. “Só não me matei porque dois meses depois disto [das
acusações] a mãe dos meus filhos morreu de cancro. A única coisa que eu podia
fazer pelos meus filhos era ficar por eles”, detalha.
Perante o juiz, o queixoso relatou ainda o impacto do caso
em Mafra, onde exercia a sua atividade e onde habita: “As pessoas que estavam
mais próximas de mim foram-me protegendo, mas tive pessoas que me disseram
‘você não deve estar aqui’ e chamaram-me pedófilo". Rejeitou ainda as alegações de consumir cocaína,
frequentar casas de swing e receber dinheiro em troca de favorecimentos em
julgamentos e afirmou só ter tomado conhecimento de quem era Ana Loureiro
depois de esta o ter acusado de pedofilia.
Terminadas as perguntas da juíza e dos advogados, Joaquim
Manuel Silva pediu desculpas por momentos de maior descontrolo emocional que
foi tendo ao longo da audiência: “Peço desculpa por alguma exaltação, mas sou
humano”, concluiu.
Ana Loureiro estava presente na audiência, mas não foi
chamada a testemunhar. Entre os arguidos está também o advogado Gameiro
Fernandes.
A próxima audiência está agendada para o dia 22 de outubro,
no Campus de Justiça, em Lisboa, onde serão ouvidas as restantes testemunhas e
demais arguidos.
Fonte: Sábado, 19 de outubro de 2026

Comentários
Enviar um comentário