Luís Neves assume "responsabilidade política" nas intervenções policiais
Perry Mason
(1957-1966) – Mona Freeman, Keith Andes, Rebecca Welles
O
ministro da Administração Interna esclarece que a polícia tem "total
autonomia técnica, tática e operacional" para tomar as decisões
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, assumiu
esta sexta-feira a "responsabilidade política" nas intervenções
policiais contra os acampamentos do movimento pelo direito à habitação em
Lisboa e Porto, ressalvando que a PSP tem "total autonomia técnica, tática
e operacional" para tomar as decisões.
"A tomada da decisão, relativamente à forma, ao modo e
ao como, pertence à Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública, com quem
estive em permanente contacto. Foi isto que se passou. A responsabilidade
política do governo é absolutamente minha nesta
temática e fui eu, com a minha equipa, que acompanhámos o
trabalho da polícia", disse Luís Neves no Parlamento, na audição que
decorre no âmbito da discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2027 em
sede de especialidade.
Os deputados do PS e do Livre, Isabel Moreira e Paulo
Muacho, respetivamente, questionaram o ministro sobre as cargas policiais da
PSP nas acampadas pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto.
"A Polícia de Segurança Pública, como a GNR, tem total autonomia técnica, tática e operacional.
Não é o ministro que diz como e de que forma é que o faz. A partir do momento em que digo que as acampadas e este
tipo de acampamentos têm que terminar, naturalmente é essa a posição
política que foi expressa, não só para as forças de segurança, como para todo o
cidadão que deveria ter entendido de uma forma muito fácil tudo isto",
sublinhou Luís Neves.
Já durante a manhã, numa pergunta colocada pelo partido
Chega, Luís Neves destacou a força que tem no governo.
"Acho que todos os dias é absolutamente notória a força
que a Administração Interna tem e que eu tenho",
afirmou Luís Neves.
O ministro respondia ao deputado do Chega Pedro Pinto, que
questionou se Luís Neves teria condições para continuar no cargo e gerir um
orçamento, considerando-o "um ministro a prazo", conhecido como
"ministro da limpeza que varreu Ricardo Carrilho da Secretária-geral
do ministério da Administração Interna" (MAI).
"Não percebo qualquer outra questão que tenha sido aqui
colocada relativamente às temáticas apresentadas pelo deputado Pedro
Pinto", disse Luís Neves.
O ministro lembrou que nomeou um novo secretário-geral do
MAI, um novo diretor nacional PSP e disse haver "uma proximidade aos
bombeiros com as visitas aos 18 distritos".
O governante salientou ainda o processo de negociações que
está a decorrer com os sindicatos, que "é muito sério e firme".
Negociação com estruturas sindicais da PSP e GNR
Na audição, o ministro da Administração Interna garantiu que
o acordo assinado em 2024 com os sindicatos da PSP e associações da GNR está a
ser cumprido, afirmando que as negociações estão a decorrer e vão chegar
"a bom porto".
"Não há um incumprimento de nenhum acordo. No acordo de 2024, o que ficou plasmado é que iriam ser retomadas as negociações. Por isso, tudo o que tinha ficado fechado em 2024 foi cumprido. Repito, foi o maior aumento que alguma vez as forças de segurança tiveram", disse Luís Neves no parlamento.
Luís Neves foi questionado pelo Chega e Partido Comunista
Português sobre as negociações com os sindicatos da PSP e associações da GNR e
a manifestação que decorreu na quinta-feira em Lisboa.
Os mais de mil polícias da PSP e guardas da GNR que
participaram na manifestação exigiram melhores salários e a revisão das
carreiras e suplementos.
Na altura criticaram as estruturas sindicais e associativas
a falta de apresentação de proposta por parte do Governo nas negociações e
lamentaram também que o acordo não estava a ser cumprido.
O ministro afirmou que as negociações foram retomadas no
final da primavera e que "agora estão a um outro ritmo" e "em
plena fase negocial", dando conta que em cima da mesa está um conjunto de
matérias, como carreiras, índices remuneratórios e suplementos.
"Estamos a falar de um conjunto de questões estruturais
e não absolutamente pontuais, negociações que estão neste momento a decorrer e
que estou absolutamente convencido que todos queremos que chegue a bom
porto", frisou.
Luís Neves adiantou que, no âmbito das negociações, o governo
quer "dar especial atenção" aos polícias que "estão diariamente
na linha da frente, considerando o risco, a penosidade, os turnos, a
responsabilidade e a especialização".
"A valorização dos profissionais é também essencial
para mantermos forças de segurança motivadas, proativas e capazes de antecipar
riscos e prevenir a criminalidade", disse.
O ministro avançou ainda que pediu à PSP e GNR um
levantamento dos polícias e militares que desempenham funções administrativas e
que podem ser desempenhadas por trabalhadores civis.
Fonte: RTP Notícias, 30 de outubro de 2026

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