Milei chama "ditador" e "ladrão corrupto" a Sánchez em Madrid
O presidente
da Argentina, Javier Milei, visitou Madrid e insultou o primeiro-ministro Pedro
Sánchez, enquanto se reuniu com dirigentes do PP e Vox
O presidente da Argentina, Javier Milei, entrou hoje na campanha eleitoral espanhola com insultos ao socialista e primeiro-ministro Pedro Sánchez e
encontros com dirigentes do Partido Popular (PP, direita) e Vox
(extrema-direita) durante uma visita a Madrid.
Milei faz hoje a sétima
visita a Espanha (nenhuma delas oficial ou de Estado) desde que
chegou à presidência da Argentina, em dezembro de 2023, e arrancou a agenda do
dia com uma conferência em Madrid que dedicou ao "sinistro
socialismo" e em que qualificou Sánchez como "indecente ditador"
ou "ladrão corrupto", entre outros insultos.
Em paralelo, disse ser amigo do presidente do Vox, Santiago
Abascal, e da presidente do governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, do
PP.
Ao contrário do que ocorreu nas anteriores seis visitas a
Espanha, Javier Milei não será desta vez recebido por Santiago Abascal, com o
partido a justificar que o presidente do Vox "tem de fazer campanha"
no terreno para as legislativas antecipadas de 29 de novembro.
Milei vai reunir-se com o vice-presidente do Vox Ignacio
Garriga, com fontes citadas pelos meios de comunicação social a revelarem que
desta vez, em véspera de eleições, Abascal prefere não ser visto ao lado do presidente
da Argentina para não ser
associado aos cortes sociais e à "imagem da motosserra" do líder do
país da América do Sul.
Quanto a Isabel Díaz Ayuso, voltará a receber Milei depois
de em junho de 2024 o ter homenageado numa cerimónia na sede do governo
regional em que lhe entregou a Medalha Internacional da Comunidade de Madrid.
A direção nacional do PP não se juntou a essa homenagem e
hoje também não está previsto qualquer encontro do presidente da Argentina com
outros dirigentes do partido.
Quem se manifestou publicamente sobre a visita de Milei foi
o próprio Pedro Sánchez e o Partido Socialista Espanhol (PSOE), aproveitando-a
para fazer campanha.
Ao início da manhã, o PSOE colocou uma lona na fachada da
sede do partido em Madrid com uma mensagem em que usa a palavra que o presidente
argentino utiliza pejorativamente para se referir à esquerda,
"zurdos", que literalmente significa "canhotos" e que pode
ser traduzida, no contexto em que a usa o presidente argentino, por
"esquerdistas" ou "esquerdalhas".
"Olá, Milei. Os esquerdistas e as esquerdistas dão-te
as boas-vindas a Espanha, o país que mais cresce na Europa", lê-se na lona
do PSOE.
Em paralelo, Pedro Sánchez mudou hoje a fotografia de perfil
que tem nas redes socais para uma imagem com a frase "zurdos y
orgullosos" ("esquerdistas e orgulhosos") e divulgou um vídeo em
que diz: "Há quem pense que nos insulta chamando-nos esquerdistas. Se
esquerdista é subir as pensões, subir o salário mínimo todos os anos, defender
o direito a abortar das mulheres ou dizer não à guerra e sim à paz, então sim,
sou esquerdista, com muita honra".
Depois da conferência da manhã, organizada pela associação e
'think tank' Forum Nova Economia, e antes do encontro com Isabel Díaz Ayuso ao
final da tarde, Milei seguiu para a Universidade Rei Juan Carlos, em Madrid,
para participar numa iniciativa dedicada à economia austríaca.
Várias organizações de estudantes convocaram concentrações
para o local de protesto contra a presença de Milei na universidade.
Na conferência da manhã, além dos insultos a Sánchez, Milei
apelou aos espanhóis para tirarem os socialistas do poder "aos
pontapés" em 29 de novembro e considerou que "os partidos de
esquerda" na Europa são os responsáveis pela estagnação económica que
considera haver no continente.
Milei referiu-se também às políticas de imigração da
esquerda europeia e de Espanha em particular e considerou que Sánchez, por
motivos eleitorais, porque "cada imigrante é um voto", incentivou uma
"invasão" de Ceuta, a cidade espanhola no norte de África onde no
final de julho entraram mais de 70 000 pessoas ilegalmente.
"A estagnação económica, combinada com a
irresponsabilidade migratória, traçam um caminho de decadência muito difícil de
inverter no futuro", defendeu.
A visita de Milei a Espanha é só de um dia e termina hoje,
com o presidente argentino a dizer que ainda não sabe se regressará a Madrid em
4 e 5 de novembro, para a Cimeira Iberoamericana deste ano.
Em todas as sete visitas que já fez a Espanha, Milei nunca
se reuniu ou foi recebido pelas duas autoridades máximas do país, o
primeiro-ministro e o Rei, Felipe VI.
Fonte: Noticias ao Minuto, 21 de outubro de 2026
Milei chama "ditador inaceitável" a Sánchez e
o governante espanhol responde: "Sim, sou de esquerda"
Javier
Milei voltou a atacar Pedro Sánchez durante a sua visita a Madrid, onde se
reuniu também com Isabel Díaz Ayuso. Sánchez respondeu no X, reivindicando a
sua ideologia de esquerda, num novo confronto verbal entre os dois líderes
Durante a sua visita a Madrid esta quarta-feira, o
presidente da Argentina voltou a atacar Pedro Sánchez, ao qualificar o chefe do
governo espanhol de “ditador inaceitável” e pedir que os socialistas sejam
“expulsos à força" do poder.
Sánchez respondeu a Milei com um vídeo publicado no X, no qual defende a sua ideologia de esquerda face ao uso depreciativo do termo "de esquerda" por parte de Milei. "Se aumentar as pensões, aumentar o salário mínimo ou defender o direito ao aborto é ser de esquerda, então sou de esquerda", afirmou o presidente espanhol, concluindo: "Sim, sou de esquerda, e com muito orgulho".
Além disso, o presidente do governo espanhol aproveitou a
ocasião para substituir a sua foto de perfil, que tinha um estilo mais
institucional, por outra onde se pode ler o lema "De esquerda e
orgulhoso" sobre um fundo vermelho.
O PSOE também exibiu um cartaz na sua sede de Ferraz para
dar as boas-vindas ao presidente argentino com o lema "Os esquerdistas
dão-te as boas-vindas a Espanha".
Milei reuniu-se esta tarde com Isabel Díaz Ayuso, presidente
da Comunidade de Madrid e uma das principais figuras do Partido Popular (PP), o
principal partido da oposição em Espanha. Não será o seu primeiro encontro:
Ayuso já tinha recebido o líder argentino em junho de 2024, quando lhe concedeu
a Medalha Internacional da Comunidade de Madrid, em plena crise diplomática
entre os governos espanhol e argentino.
Espanha condenou na quarta-feira Javier Milei por
"ingerência externa, ataques e insultos", depois de o presidente
argentino — que se encontrava de visita no país — ter qualificado o
primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de "ditador" e ter instado
os eleitores a destituí-lo, poucas semanas antes das eleições gerais.
"É vergonhoso que uma pessoa que ocupa o cargo mais
alto de uma nação irmã visite o nosso país com o único objetivo de tentar
fomentar um clima de polarização e violência", assinalou o ministério dos
Negócios Estrangeiros de Espanha em comunicado.
Não haverá encontro entre Feijóo e Milei
Seja por questões de agenda ou pelo calendário político (as
eleições gerais de 29 de novembro estão mesmo aí à porta), nem o líder do
Partido Popular, Alberto Núñez-Feijóo, nem o seu homólogo do Vox, Santiago
Abascal, tirarão uma fotografia pública nem terão um encontro com o presidente
da Argentina.
Embora nunca tenha coincidido formalmente com o primeiro,
com exceção de um ou dois eventos, já o fez na altura com a presidente da
Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, que lhe entregou a Medalha
Internacional da Comunidade de Madrid em junho de 2024.
Com Santiago Abascal, sim, chegou a coincidir. Ambos
estiveram presentes num evento do partido de extrema-direita que reuniu as
diferentes formações de ideologia semelhante num evento realizado no Palácio
Vistalegre, em Madrid. A terceira jornada da Europa Viva 24 juntou Milei a Le
Pen, Orbán, Kast e Ventura.
Tensão na Corunha devido ao comício de Abascal
Apesar de não ter tirado uma fotografia com Milei, a
presença de Abascal gerou tensão na Corunha. O líder deslocou-se ao local para
realizar um comício e a tensão acabou por se agravar quando este terminou, com
o lançamento de ovos e objetos contra o cordão de segurança, transformando o
protesto — que começou de forma pacífica — num tumulto no centro da cidade. A
mobilização foi organizada pelas Juventudes Socialistas sob o lema "Não
passarão" e contou com a participação de membros da organização Galiza
Nova.
Abascal classificou o protesto como "coação" e
salientou que a comunidade do noroeste de Espanha continua a ser o
"espinho" do Vox, tendo apelado à mobilização em nome da
"liberdade".
Aproveitou também o evento para atacar o primeiro-ministro,
Pedro Sánchez, a quem classificou de "traidor" ou
"oportunista" devido à gestão do governo em relação à situação em
Ceuta, e revelou o motivo pelo qual não haveria uma fotografia com Milei,
indicando que haverá um encontro privado entre ambos.


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