Modelo "Suíça plus". Reino Unido poderá regressar rapidamente à União Europeia
Perry Mason
(1957-1966) – Mala Powers
Bernd Lange, que participou nas negociações do Brexit, diz
que um acordo para o regresso do Reino Unido à
Europa poderá ser assinado poucos
meses depois de qualquer decisão de estreitar laços. O Reino Unido poderá
regressar à União Europeia através de um pacote no modelo “Suíça plus” — um
arranjo que poderá ser negociado poucos meses depois de qualquer decisão de aprofundar
os laços com o bloco —, afirmou o presidente do Comité do Comércio
Internacional do Parlamento Europeu, citado pelo jornal britânico The
Guardian.
“Adorava ver o Reino Unido de volta”, afirmou o eurodeputado
alemão Bernd Lange, que teve um papel central nas negociações do Brexit. Bernd
Lange salientou que a União Europeia sente falta da participação britânica no processo de tomada
de decisões, dado o historial do país na promoção dos mercados abertos e da
democracia.
O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson rejeitou a
ideia de uma relação com a União Europeia nos moldes da que a Suíça mantém, uma
vez que envolveria a livre circulação de pessoas e o alinhamento regulamentar;
contudo, este modelo é frequentemente visto como um passo intermédio em direção
a uma adesão plena ao bloco.
A Suíça não é membro da União Europeia, mas, no ano passado,
assinou um novo acordo-quadro que consolida o seu “acesso sem atritos” ao
mercado único, através de mais de 100 acordos específicos.
Isto garante ao país o acesso ao mercado de eletricidade da
União Europeia, a programas espaciais, ao programa Erasmus e ao programa de
investigação “Europa Digital” (Digital Europe), para além da participação no
Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.
Cimeira entre UE e Reino Unido em novembro
Lange manifestou ainda apoio à exigência
de Andy Burnham para que a União
Europeia não exclua o Reino Unido da legislação Made in Europe (Feito na
Europa) — uma medida que, caso contrário, impediria os fornecedores britânicos
de participar em concursos públicos e em certos contratos corporativos, como o
fornecimento de frotas de veículos.
Segundo o Guardian, os líderes de França e da
Alemanha estavam, na quinta-feira, perto de um consenso sobre uma proposta que
permitiria a inclusão do Reino Unido, desde que o país alinhasse com as tarifas da União Europeia — previstas para 2024 — sobre a
importação de veículos elétricos chineses.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, conta com o
apoio dos Países Baixos, da Alemanha e da Itália. A França, autora das
propostas legislativas, posicionou-se contra, argumentando que a legislação
precisa de ser aprovada com urgência para proteger o bloco contra a
concorrência de produtos baratos vindos da China, e que a inclusão do Reino
Unido e de outros países aliados poderia atrasar o processo legislativo.
Bernd Lange defendeu que o Reino Unido deveria,
“naturalmente”, ser incluído, uma vez que o país já está alinhado com a União
Europeia em relação às normas ambientais e às leis laborais.
Para Lange, a posição da França é “irracional” e
“excessivamente emocional”, podendo ser motivada pelo desejo de priorizar os
interesses franceses antes das eleições presidenciais de abril próximo — pleito
no qual Marine Le Pen, que se opõe ao globalismo, pode chegar ao poder. Excluir
o Reino Unido do Made in Europe poderá, ainda, desencadear uma disputa
jurídica em torno do acordo de comércio e cooperação que permite a venda de
produtos britânicos no mercado único europeu, sem barreiras, desde que cumpram
as normas do bloco.
Espera-se que o pacote Made in Europe— também chamado
Lei de Aceleração Industrial (Industrial Accelerator Act) — obtenha aprovação
política até ao final deste ano ou início de 2027. Isto significa que o
primeiro-ministro britânico, Andy Burnham dispõe de pouco tempo para articular
a inclusão de cláusulas que classifiquem o Reino Unido como “europeu” para
efeitos desta legislação.
Contudo, Lange observou que ainda pode haver uma
oportunidade após esse prazo, considerando os trâmites do Parlamento Europeu,
onde três comissões possuem poderes de análise e fiscalização.
“Há 5100 alterações”, afirmou, referindo-se ao longo
processo que se avizinha — incluindo uma que trata especificamente da inclusão
do Reino Unido.
Na passada segunda-feira, Andy Burnham afirmou que se vai
empenhar em garantir um acordo que melhore as relações comerciais com a União
Europeia durante uma cimeira no próximo mês. Exortou ainda o Parlamento a
apoiá-lo no estabelecimento de laços mais estreitos com o bloco a longo prazo.
Assinalando o regresso do Parlamento após o recesso, Andy
Burnham — que, no referendo de 2016, defendeu a permanência do Reino Unido na
UE — confirmou que se realizará uma cimeira entre o Reino Unido e a União
Europeia a 20 de novembro. O encontro tinha sido adiado após a demissão do seu
antecessor, Keir Starmer.
Fonte: RTP, 16 de outubro de 2026
O ridículo como política e forma de vida. Numa fornada de políticos medíocres que escondem a sua inépcia nos “populismos”, nos “extremismos”, na “ingerência russa”, nos “inimigos da democracia” e noutras “desgraças”, os ingleses ensaiam a síndrome Cristiano Ronaldo. Metem-se no seu avião para fora da União Europeia, amuados e arrogantes, depois… querem regressar.

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