NATO avisa Portugal: não é por estar longe da Rússia que nos tornamos "imunes a muitas ameaças"

Perry Mason (1957-1966) – Sue Randall, William Hopper

Radmila Shekerinska foi uma das oradoras da CNN Portugal Summit Strategic Transformation Lab

A NATO avisa Portugal que é importante reforçar o investimento em Defesa, mesmo estando fisicamente distante da Rússia porque “geografia não nos torna imunes a muitas ameaças”.

Posição assumida por Radmila Shekerinska, vice-secretária-geral da NATO, esta quinta-feira na CNN Portugal Summit Strategic Transformation Lab.

A responsável deu o exemplo da cibersegurança, que “é uma das vulnerabilidades que não liga a fronteiras físicas ou a geografias”.

"A melhor forma de evitar um conflito é sendo forte", juntou.

Nesta conferência, a antiga ministra da Defesa da Macedónia do Norte insistiu na necessidade de consensos alargados para construir a resiliência necessária à Aliança Atlântica num contexto de segurança “mais complexo”.

“Podemos travar a Rússia, podemos travar todos os nossos adversários, apenas se nos apresentarmos numa frente unificada. É o que a Aliança está a fazer”, afirmou.

A prevenção, insistiu, é a principal estratégia para evitar gastos maiores no futuro. “Os nossos adversários não nos devem testar. E a melhor forma de fazer chegar esta mensagem não é através de discursos, é investindo em capacidade e mostrando tanto a unidade como a prontidão”, referiu Radmila Shekerinska.

Conhecimento português no mar fundamental para aliança

A responsável elogiou o compromisso de Portugal com a NATO e destacou o conhecimento português na área marítima como um importante contributo para esta aliança defensiva.

Questionada sobre se o investimento em Defesa poderá ser usado como combustível para alimentar populismos, Radmila Shekerinska lembrou as dificuldades que sentiu, enquanto ministra da Defesa da Macedónia do Norte, para convencer a população a investir mais nesta área.

“Não usei a NATO como o principal argumento. Na verdade, usei o argumento simples e básico da verdade: se não tivermos segurança, não temos nada”, argumentou, vincando o passado de guerra nos países do Báltico.

“Este continente já viu a guerra em séculos passados. E sabemos a devastação que ela traz”, concluiu.

Já perante os sinais de que os EUA estão a recuar no apoio à Ucrânia, Radmila Shekerinska insiste que a NATO inclui “32 aliados”, que estão coordenados no objetivo de “garantir que a Ucrânia tem o que é preciso para se defender e quando chegar à negociação fazê-lo numa posição de força”.

"Continuamos a mandar equipamento militar para a Ucrânia porque sabemos que a nossa segurança depende do que acontecer na Ucrânia", rematou, recordando o material americano que tem sido enviado para território ucraniano.

Fonte: CNN Portugal, 22 de outubro de 2026 

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