O casamento já está marcado. Mas há uma coisa sobre a noiva de D Dinis de Bragança que poucos sabem
Já há data para mais um casamento na família dos Duques de
Bragança. D. Dinis de Bragança, filho mais novo de D. Duarte Pio e D. Isabel de
Herédia, vai casar-se com a condessa austríaca Anna Schaffgotsch a 16 de outubro de 2027, numa
cerimónia que terá lugar em Lisboa. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 26
de outubro, através dos canais oficiais da Casa Real Portuguesa.
O compromisso entre os dois tinha sido anunciado em junho,
mas só agora foi revelado o dia escolhido para a cerimónia.
A notícia voltou a despertar
a curiosidade em torno da jovem
de 24 anos, que tem um percurso académico ligado à Economia e às Ciências
Sociais e se encontra atualmente em Lisboa, a realizar um estágio na área da
educação.
Há, contudo, um pormenor sobre a futura mulher do Duque do
Porto que pode passar despercebido à primeira vista: o apelido Schaffgotsch está associado a uma das mais poderosas
famílias aristocráticas da história da Silésia, uma região da Europa
Central. Durante gerações, os seus membros acumularam vastas propriedades e
construíram um império económico que teve um peso significativo na indústria
mineira.
O apelido que esconde uma história de milhões
Muito antes de Anna Schaffgotsch se tornar conhecida em
Portugal por causa do noivado com D. Dinis, a família já tinha um lugar de
destaque na história europeia. De acordo com a Deutsche Biographie, uma
obra de referência biográfica alemã, os Schaffgotsch figuravam entre as
famílias mais ricas da Alemanha antes da Primeira Guerra Mundial.
A sua influência não se devia apenas à origem aristocrática
ou à posse de terras. A família desenvolveu atividades industriais,
nomeadamente na exploração de carvão e de zinco, e acumulou propriedades de
grande dimensão na Silésia. Por volta de 1925, um dos ramos da família detinha
um complexo patrimonial com cerca de 27 668 hectares, segundo a mesma fonte.
O património incluía ainda palácios, coleções artísticas e bibliotecas históricas. A dimensão dos bens acumulados ao longo de séculos ajuda a explicar por que razão o nome Schaffgotsch continua associado a uma das grandes dinastias aristocráticas da Europa Central.
É, no entanto, importante fazer uma distinção: esta riqueza
histórica diz respeito a diferentes ramos da família e não permite concluir que
Anna Schaffgotsch detenha pessoalmente uma fortuna equivalente. O apelido
transporta uma herança histórica relevante, mas não há informação pública que
permita quantificar o património atual da futura noiva.
Uma herdeira que mudou o destino da família
Um dos episódios mais marcantes da história dos Schaffgotsch
aconteceu no século XIX e tem como protagonista Johanna Gryzik, mais tarde
conhecida como Johanna von Schaffgotsch.
Filha de um mineiro,
Johanna ficou órfã de pai ainda em criança e acabou por ser acolhida por
pessoas ligadas ao industrial Karl Godulla. Este desenvolveu uma relação
próxima com a menina e, quando morreu, em 1848, deixou-lhe a sua fortuna.
Godulla era um poderoso empresário da indústria mineira e possuía explorações
de carvão e zinco, entre outros negócios.
Johanna tornou-se, assim, herdeira de um vasto património
industrial. Em 1858, casou-se com Hans Ulrich von Schaffgotsch, membro de uma
antiga família aristocrática da Silésia. A união fez convergir a fortuna
industrial herdada por Johanna com o prestígio e as propriedades da família do
marido.
Segundo a Deutsche Biographie e o European Route
of Industrial Heritage, Johanna desempenhou um papel importante na expansão
de um império económico que viria a transformar os Schaffgotsch em grandes
industriais. A sua história é um dos exemplos mais conhecidos de ascensão
social e económica na região.
A guerra mudou tudo
A prosperidade da família não resistiu às profundas
transformações políticas e territoriais do século XX. A Segunda Guerra Mundial
e a alteração das fronteiras na Europa Central tiveram consequências
devastadoras para os Schaffgotsch.
Depois da guerra, grande parte das propriedades da família
ficou sob controlo de outros Estados, tendo os bens sido confiscados. Muitos
membros foram obrigados a abandonar a região onde os seus antepassados tinham
construído o património familiar.
O nome Schaffgotsch sobreviveu, mas a realidade da família
mudou radicalmente. A história que hoje desperta curiosidade é, por isso, a de
uma antiga casa aristocrática que chegou a deter um património industrial e
fundiário de enorme dimensão e que sofreu uma perda profunda com os
acontecimentos do século XX.
A trajetória da família é estudada em publicações históricas
e projetos dedicados à memória da Silésia, uma região que esteve no centro de
importantes transformações políticas, económicas e culturais da Europa.
Quem é, afinal, Anna Schaffgotsch?
Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein,
baronesa de Trachenberg, nasceu em Viena, na Áustria, a 17 de fevereiro de
2002. É filha dos condes Maximilian e Marie Schaffgotsch e tem três irmãos.
A jovem licenciou-se em Economia e Ciências Sociais pela
Universidade de Economia e Gestão de Viena. Complementou a formação com
certificações nas áreas da Gestão Imobiliária e da Gestão em Saúde e está a
especializar-se na área da Educação, com planos de prosseguir estudos em
Educação Comparada na University College London.
O seu percurso inclui também experiência profissional no Teatro Infantil de Viena, onde desempenhou funções administrativas, e colaboração em projetos europeus relacionados com educação e sustentabilidade. Participou ainda em iniciativas de voluntariado com crianças e pessoas com deficiência.
Atualmente, encontra-se em Lisboa a realizar um estágio num
programa educativo da Lisbon Project Association, uma organização que
desenvolve trabalho junto de comunidades vulneráveis. A experiência na capital
portuguesa coincide, assim, com uma nova etapa pessoal: a preparação do
casamento com D. Dinis de Bragança.
O próximo casamento da família Bragança
D. Dinis de Bragança nasceu em Lisboa, a 25 de novembro de
1999, e é o filho mais novo de D. Duarte Pio e D. Isabel de Herédia. O jovem,
conhecido como Duque do Porto, tem um percurso académico ligado à Ciência
Política e às Relações Internacionais, com interesse particular pelos Estudos
Europeus e pelos Negócios Estrangeiros.
O noivado com Anna foi anunciado em junho de 2026, depois de
o pedido ter acontecido em Lisboa. Em julho, os dois fizeram a primeira
aparição pública enquanto casal num casamento da família Habsburgo, em Viena.
A cerimónia de outubro de 2027 será o segundo casamento dos
filhos dos Duques de Bragança. Em outubro de 2023, a irmã de D. Dinis, D. Maria
Francisca de Bragança, casou-se com Duarte de Sousa Araújo Martins, numa
cerimónia realizada em Mafra.
Agora, todas as atenções se viram para Anna Schaffgotsch. A
futura mulher de D. Dinis tem uma formação académica e um percurso profissional
próprios, mas o seu apelido acrescenta uma dimensão histórica inesperada à
história do casal: o de uma família que, durante gerações, esteve entre as
grandes potências aristocráticas e industriais da Europa Central.
O casamento já tem data e local. Até outubro de 2027, haverá
certamente mais detalhes sobre a cerimónia. Para já, há uma coisa que distingue
a futura noiva: por trás de um apelido pouco conhecido em Portugal está uma
história que atravessa séculos de aristocracia, indústria, fortuna e profundas
mudanças na Europa.
Fonte: TVI, 26 de outubro de 2026

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