Paulo Portas arrasa política de Trump para a Rússia: "Ou é uma barata tonta ou tem uma relação com Moscovo que desconhecemos"
Paulo Portas recuperou a
polémica declaração de Marcelo Rebelo de Sousa, que admitira a
possibilidade de Donald Trump ser um “ativo russo ou soviético”, para acusar o presidente
norte-americano de uma aproximação sem precedentes a Vladimir Putin.
“Eu sempre achei que ele tinha razão na substância, embora
tivesse dúvidas de que um presidente pudesse ser tão explícito”, afirmou no
habitual comentário “Global”, no Jornal Nacional da TVI, canal do mesmo
grupo da CNN Portugal. Para Portas, ter um presidente dos Estados Unidos
com uma predileção pela Rússia é algo que não se via no Ocidente desde 1917.
O comentador enumerou o acordo sobre o gasóleo russo, a
suspensão de sanções às petrolíferas de Moscovo, as críticas à liderança
ucraniana e o anúncio de um cessar-fogo energético que Kiev desconhecia e que a
Rússia, segundo Portas, violou na própria noite. Criticou ainda o afastamento
de medidas de pressão económica sobre países que compram energia russa.
“Favorece o agressor,
não obtém nada em troca”, acusou, sublinhando que Trump dá receitas adicionais
a Putin numa altura de dificuldades económicas para a Rússia. E apresentou duas explicações para o comportamento da Casa Branca: “Ou o presidente
dos Estados Unidos é uma barata tonta e passa a vida a fazer ziguezagues e não
sabe o que quer, ou tem qualquer relação com a Rússia que nós não conhecemos”.
O maior problema, considera, é a confiança dos parceiros
europeus. Perante a hipótese de uma ofensiva
russa contra os países bálticos, questionou como poderão os aliados
da NATO confiar em Washington. “Isto cria uma desconfiança entre aliados que é
impossível de ignorar. Considero que é o facto mais relevante.”
Portas abordou também a redução da velocidade do Starlink
utilizado militarmente pela Ucrânia, com consequências para as comunicações e
operações no terreno. Embora tenha ressalvado
que se desconhece quem tomou a
decisão, relacionou o episódio com a dependência de Elon Musk dos contratos
públicos norte-americanos e com os cerca de 360 milhões de dólares que o
empresário terá destinado a candidatos republicanos.
“Os americanos votam com o bolso”
A guerra contra o Irão e a subida dos combustíveis ajudam,
na leitura de Portas, a explicar a aproximação de Trump a Moscovo. O presidente
norte-americano procura responsabilizar os ataques ucranianos a instalações
energéticas russas pelos preços da gasolina. “Trata-se de inventar uma
narrativa falsa”, contestou o comentador, atribuindo à abertura de uma frente
de guerra no Golfo boa parte do problema.
O galão de gasolina passou de 3,50 dólares, antes da guerra com o Irão,
para 6,20 dólares, enquanto a inflação norte-americana atingiu 3,7%.
“Os americanos votam com o bolso”, recordou Portas, a
propósito das eleições intercalares de 3 de novembro. Com a aprovação de Trump
nos 38,7% e uma vantagem democrata de 50% contra 42% nas intenções de voto para
o Congresso, o comentador considera possível uma mudança de maioria na Câmara
dos Representantes. Quanto ao Senado, mostrou-se mais cauteloso: há estados
onde a diferença entre os candidatos não ultrapassa um ou dois pontos
percentuais.
Fonte: TVI Notícias, 18 de outubro de 2026

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