Presidente do Tribunal Constitucional da Polónia afastado e polícia mobilizada
Perry Mason
(1957-1966) – Virginia Field, Raymond Burr
A polícia mobilizou-se hoje à noite em Varsóvia para junto
do Tribunal Constitucional, após o anúncio da suspensão de presidente daquela
instituição, no centro de um confronto entre a
direita nacionalista e o atual governo centrista.
O presidente do Tribunal Constitucional foi nomeado, quando
a direita nacionalista estava no poder.
O presidente da República polaca, o nacionalista Karol
Nawrocki, anunciou que iria interromper a viagem ao Senegal, onde estava em
visita oficial, e voltaria urgentemente para Varsóvia.
Dezenas de polícias antimotim impediram o acesso ao edifício
da mais alta instância judicial polaca aos numerosos apoiantes do partido
nacional conservador Lei e Justiça (PiS, oposição).
Estes apoiantes do PIS manifestam-se há várias semanas em
apoio aos juízes da Suprema Corte, que o governo centrista de Donald Tusk quer
ver fora do cargo, constatou um jornalista da agência de notícias francesa AFP.
Considerado pela UE como
excessivamente dependente do poder político, o Tribunal
Constitucional tem sido uma das pedras no sapato entre Bruxelas e os
nacionalistas, destacando repetidamente a primazia da legislação polaca sobre a
da UE.
Desde o seu regresso ao poder, em 2023, que Donald Tusk,
ex-chefe do Conselho Europeu, promete resolver a crise.
Mas, sem sucesso até agora, já que as nomeações de seu
governo para o Tribunal não foram aprovadas pelo chefe de Estado, que as
bloqueia.
"Restaurar o estado de
direito é nosso dever", declarou Donald Tusk na rede social X.
"Após anos de ilegalidade sob o PiS, é um processo
difícil, às vezes doloroso, que exige ação decisiva. Não há outro
caminho", afirmou.
Uma dessas juízas, Anna Korwin-Piotrowska, foi quem anunciou
a suspensão das funções do presidente controverso do tribunal, Bogdan
Swieczkowski. E o ministro da Justiça, que também é procurador-geral, anunciou
durante uma conferência de imprensa que pediu a suspensão da imunidade de
Swieczkowski, assim como a do seu adjunto, Bartlomiej Sochanski. No entanto,
reinava a confusão.
O tribunal negou, denunciando "um golpe de Estado"
na sua conta oficial na X.
O site do tribunal não estava acessível na noite de hoje. Na
sua conta no X, o Tribunal afirma que o presidente Swieczkowski continua em
funções e que Korwin-Piotrowska não pode assumir interinamente, porque não
prestou juramento perante do presidente da República.
"Tusk traidor", gritavam os apoiantes do PiS em
frente ao tribunal, segundo o constatou o jornalista da AFP no local. Alguns destes manifestantes recitavam orações contando um
rosário ou mostrando imagens religiosas.
Embora a polícia tenha invadido o recinto do tribunal,
afirma não ter entrado nos edifícios.
Fonte: Lusa, 30 de outubro de 2026

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