Primeiro-ministro britânico diz que Rússia interferiu na votação do Brexit

Perry Mason (1957-1966) – Jacques Bergerac, Arthur Franz

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou que a Rússia interferiu no referendo britânico de 2016 sobre a saída da União Europeia, naquela que se acredita ser a primeira vez que um líder britânico reconhece publicamente esse tipo de ingerência.

Burnham disse no podcast “The Rest is Politics” que, ao assumir o cargo em julho, perguntou aos seus conselheiros se a Rússia tinha interferido na votação do Brexit.

“Tive uma resposta clara de que sim, houve interferência”, afirmou. “É importante colocar agora estes factos de forma inequívoca no registo e creio que isso ajuda os eleitores na Alemanha e em França a perceber que parte desta política é instigada pelos nossos inimigos, nomeadamente pela Rússia.”

Moscovo nega há muito qualquer ingerência nas eleições ou referendos de outros países.

As declarações de Burnham surgem numa altura em que os serviços de informações britânicos alertam para uma ameaça crescente de interferência russa nas instituições democráticas do país. Em 2020, uma comissão parlamentar concluiu que o governo não avaliou plenamente o possível impacto dos meios de comunicação estatais russos e de contas de “trolls” no referendo.

Burnham acrescentou que tinha discutido possíveis ligações entre a Rússia e o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) com o chanceler Friedrich Merz, em Berlim, na semana passada.

“Sabes, ele dizia-me que a AfD está claramente ligada à Rússia, financiada, creio eu”, disse Burnham. “Há certamente informação errónea e desinformação que emana da Rússia para a política alemã.”

Reino Unido: ligações do Partido Trabalhista aos Emirados Árabes Unidos

No plano interno, Burnham enfrenta pressão devido às suas ligações ao Manchester City, o clube da Premier League apoiado por um Estado do Golfo que foi dado como culpado, no mês passado, de múltiplas violações das regras financeiras.

O antigo presidente da câmara de Greater Manchester foi criticado por afirmar que ficaria “muito preocupado” se o clube perdesse os seus abastados proprietários árabes. Deputados do Labour receberam cerca de 325 500 euros em hospitalidade e viagens ao estrangeiro dos Emirados Árabes Unidos, muito mais do que qualquer outro partido, segundo registos oficiais analisados pelo jornal britânico The Sun.

No podcast, Burnham aceitou um pedido da oposição para publicar detalhes das suas reuniões com os proprietários do clube, afirmando que só teve um encontro significativo, em 2021.

Essa divulgação não incluirá informações sobre a reunião privada entre o presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, e o ministro das Empresas, Jonathan Reynolds, em Downing Street, a 14 de setembro, 11 dias antes de o clube ter sido considerado culpado.

A coincidência de datas é considerada suspeita, embora relatos indiquem que as conversações ocorreram no âmbito do seu papel distinto de diretor executivo do fundo soberano de Abu Dhabi, a Mubadala, e se centraram em defesa, informações de segurança e comércio.

Burnham afirmou que as questões relacionadas com o futebol são graves e estão sujeitas a um processo independente, mas devem manter-se separadas das decisões de investimento.

Fonte: Euronews, 12 de outubro de 2026

Saga das 115 acusações do Man City tem nova reviravolta com grande promessa do primeiro-ministro

A oferta chegou às pessoas que era suposto tranquilizar. Outros clubes da Premier League disseram a jornalistas que estão incomodados com o facto de um primeiro-ministro em funções se aproximar sequer de um processo independente que considerou o Manchester City culpado de graves infrações financeiras.

Andy Burnham tentou acalmar a polémica no podcast The Rest Is Politics, com os seus comentários antecipados no domingo antes do lançamento do episódio.

Afirmou que tinha sido pressionado sobre o assunto pela líder conservadora Kemi Badenoch, que havia pedido «tudo» sobre os seus contactos com o clube ao longo dos anos em que foi autarca da Grande Manchester.

A versão do próprio Burnham resumia-se a uma única data.

«A líder da oposição pediu-me para publicar os detalhes das minhas reuniões, o que farei com todo o gosto e tenciono fazer.»

«Vou claramente divulgar tudo o que fiz a trabalhar com eles no meu anterior cargo de autarca da Grande Manchester. Nenhuma delas é recente, na verdade, em termos de reuniões que tive. Só tive uma reunião significativa, e foi em 2021.»

O que desencadeou a polémica

Burnham chegou à promessa de transparência depois de ele próprio ter sido o primeiro a fazer soar os alarmes. Na sua reação inicial ao veredicto, disse que ficaria «muito preocupado» se os proprietários do City, de Abu Dabi, decidissem vender o clube, elogiando-os como um parceiro central na modernização de Manchester.

Foi essa a frase a que os rivais da Premier League se agarraram. Vários clubes disseram a jornalistas que receavam um favoritismo governamental percecionado num momento em que o City enfrenta a mais pesada sanção financeira de sempre da Premier League.

Desde então, Downing Street tem tentado pôr fim à controvérsia, sublinhando que Burnham quer que o processo disciplinar do futebol siga o seu curso sem interferências.

115 acusações e um recurso interposto

Uma comissão independente considerou o Manchester City culpado da maioria das 115 acusações apresentadas contra o clube, determinando que este havia violado as regras da Premier League ao longo de nove temporadas, de 2009 a 2018. Os investigadores apontaram para contratos comerciais fictícios que, segundo afirmaram, foram utilizados para inflacionar artificialmente as receitas, citando valores superiores a 830 milhões de libras canalizados a partir da propriedade do clube em Abu Dabi.

O City sempre negou qualquer irregularidade e interpôs recurso.

Futebol e investimento, separados

Burnham repetiu a distinção que tem feito desde que o veredicto foi conhecido, insistindo que o caso do futebol deve ser julgado por si só.

«As questões do futebol são sérias e têm de ser tratadas, e o processo é independente e tem de seguir o seu curso.»

«Mas penso que todos deveriam separar as questões do investimento, porque não são a mesma coisa.»

O episódio completo do The Rest Is Politics com o relato de Burnham tem lançamento previsto para terça-feira, 13 de outubro.

Fonte: Lente Desportiva, 12 de outubro de 2026

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