Primeiro-ministro da Albânia atribui à guerra híbrida a responsabilidade pela agitação em todo o país
Perry Mason (1957-1966)
O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, atribuiu a uma
"guerra híbrida" a responsabilidade por alimentar a agitação no seu
país na terça-feira, após uma semana de violentas manifestações
antigovernamentais na capital, Tirana.
Os manifestantes têm-se confrontado repetidamente com a
polícia desde terça-feira, à medida que os protestos, que já se arrastam há meses, se intensificam,
impulsionados por novas exigências de melhores condições nas universidades,
indignação face à corrupção e novos apelos à demissão de Rama.
Durante as manifestações, que atraíram milhares de pessoas, a polícia tem recorrido regularmente a canhões de água,
gás lacrimogéneo e balas de borracha para
dispersar as multidões que atacaram edifícios governamentais e destruíram lojas
em várias zonas da capital.
Os manifestantes atiraram pedras, bombas incendiárias e
foguetes contra a polícia.
Cerca de 300 pessoas ficaram feridas nos confrontos, mais de
metade das quais eram polícias, segundo as autoridades.
Na terça-feira, Rama reiterou as acusações anteriores de que
"atores estrangeiros" eram
os responsáveis pela violência, tendo
anteriormente acusado tanto a Rússia como
o Irão de promoverem a desinformação online.
"Isto já foi reconhecido e está a tornar-se uma questão
importante em toda a Europa", afirmou o primeiro-ministro albanês num
comunicado transmitido em direto durante uma visita ao ministério da Educação.
“Trata-se de uma guerra híbrida que ganha força precisamente
porque tem origem em queixas genuínas, e não em meras fantasias",
acrescentou o primeiro-ministro, referindo-se ao aumento do custo de vida, à
acessibilidade da habitação e às preocupações com o futuro.
Aludiu também a uma possível
proibição das redes sociais para menores de 16 anos e assinalou alterações à
idade de responsabilidade criminal.
Desde o início dos protestos, os alunos do ensino secundário
têm-se juntado aos seus colegas universitários nas manifestações, com a polícia
e as autoridades a condenarem regularmente o envolvimento de menores em atos de
violência.
Na terça-feira de manhã, centenas de professores
universitários marcharam em solidariedade com os manifestantes para condenar a
violência policial dirigida contra os estudantes, segundo um repórter da AFP.
Empunhando uma faixa com a mensagem "Acabem com a
violência contra os estudantes", os manifestantes exigiram a demissão de
Rama.
As manifestações, que já duram uma semana, causaram graves
danos a vários edifícios governamentais, incluindo o ministério da Educação,
que continua a ser um ponto nevrálgico.
Os protestos
antigovernamentais neste país dos Balcãs tiveram início devido a um controverso
projeto de construção de um complexo turístico numa área protegida do ponto de
vista ecológico, ligado à família do presidente dos EUA, Donald Trump.
No entanto, a indignação relativamente ao projeto
transformou-se num movimento mais amplo contra a corrupção, num contexto de
exigências contínuas para que Rama se demita.
Fonte: Euronews, 21 de outubro de 2026

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