Sarmento diz ter dificuldade em associar renda moderada de 2300 euros a subida de preços
Perry Mason
(1957-1966) – Jacques Aubuchon
O ministro das Finanças afirmou hoje ter dificuldade em
perceber como a definição do conceito de “renda
moderada” nos 2300 euros possa aumentar os preços, argumentando que
diminui os valores imediatamente acima, até 2600 euros.
“Tenho muita dificuldade em perceber como é que, ao fixar-se
o limite da renda moderada até 2300 euros, isso pode contribuir para aumentar
as rendas. Não tenho dúvidas de que
contribui para reduzir as rendas que estão imediatamente acima”, disse Joaquim
Miranda Sarmento, em resposta a críticas dos partidos à esquerda sobre a nova
lei que baixa a taxa de IRS de 25% para 10% para os senhorios que coloquem a
renda até 2300 euros por mês.
A frase – dita durante na ronda final da discussão do
Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) na generalidade, numa audição na
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública – motivou sorrisos e
apartes na bancada do PS, levando Miranda Sarmento a interromper a resposta
para notar a reação da deputada Sofia Pereira e pedir que deixasse explicar o
seu argumento.
O ministro de Estado e das Finanças defendeu que “qualquer
pessoa que coloque uma casa a arrendar – seja um grande investidor, seja uma
pessoa que poupou e tem uma casa disponível e
essa renda ajuda a melhorar o rendimento da sua família – pensa [com] quanto vai ficar depois de pagar os
impostos”.
De seguida, explicou o que pensa que se sucederá com quem
pratica rendas acima de 2300 euros e o que acontecerá com quem pratica rendas
abaixo desse patamar, definido como sendo o limiar de uma “renda moderada”.
“Alguém que tem uma renda de 2400 ou de 2500 euros tem um
rendimento líquido maior se baixar a renda para 2300 euros do que se a mantiver
em 2400 ou 2500 euros. Quem tem 2400 euros e 2500 euros paga 25% de IRS. Em 2300
euros paga 10%. Portanto, 15% dos 2300 euros – cerca de 300 e poucos euros – é
a fronteira em que o rendimento líquido da pessoa aumenta se baixar a venda
para os 2300 euros”, sustentou.
“Já o inverso tem pouca racionalidade económica”, contrapôs,
referindo-se ao risco, apontado à esquerda, de os senhorios com rendas abaixo
de 2300 euros subirem os valores até esse limite, sabendo que o incentivo
fiscal existe até aí.
O ministro defendeu que, “se o mercado diz que uma
determinada casa, com uma determinada tipologia, estado de conservação, numa
determinada zona (...) tem uma renda de mercado de 1200 euros, como é que
alguém pode cobrar 2300 euros? Isso não é
possível”.
"O mercado de arrendamento não é um mercado de
oligopólio, e muito menos de monopólio. E, portanto, os agentes económicos formam o preço em função da oferta e da procura”,
acrescentou, fundamentando que se uma determinada casa, num determinado sítio,
tem uma renda fixada pelo mercado de 1300 euros qualquer pessoa que queira
colocar essa renda em 2300 euros não vai conseguir arrendar, é tão simples
quanto isto”.
“A renda moderada permite aumentar o retorno para quem
arrenda até 2300 euros, e se conseguirmos reduzir o risco e aumentar o retorno,
estamos a ter soluções mais eficientes na economia, e permite, na zona de
fronteira, mais ou menos entre os 2300 e os 2600, que haja de facto uma redução
de rendas, porque o rendimento líquido daquele arrendatário arrenda”, reforçou
o ministro.
Miranda Sarmento afirmou ainda durante o debate que "os
agentes económicos tomam decisões com base no risco e no retorno” e que se se
não tive "uma relação de risco-retorno favorável a que as pessoas coloquem
casas no mercado de arrendamento, os agentes económicos não” o vão fazer.
Com os incentivos criados, sinalizou, o governo está “a
reduzir o risco de quem coloca casas no mercado de arrendamento” e,
simultaneamente, ao reduzir o IRS a aumentar o retorno líquido.
A redução da taxa de imposto a pagar sobre os rendimentos
obtidos com as rendas baixa de 25% para 10%, quando tributados de forma
autónoma, fazendo com que haja “um aumento significativo, de 15 pontos
percentuais no rendimento líquido”, salientou.
O ministro adiantou ainda que este ano estão a ser apoiados
50 mil jovens no Porta 65 Jovem, enquanto o programa extraordinário de apoio à
renda tem 162 mil beneficiários.
Fonte: Lusa, 24 de outubro de 2026

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