Serviços secretos europeus alertam: empresários da indústria da defesa estão na mira de Moscovo
Perry Mason
(1957-1966) – William Hopper, Stuart Randall
Dirigentes
da indústria de defesa, incluindo fabricantes de drones e de componentes
militares, passaram a figurar entre os potenciais alvos das operações híbridas
russas. A informação é avançada por cinco agências de inteligência europeias ao
Financial Times
Agências de informação europeias estão a alertar para um
aumento de operações russas dirigidas contra responsáveis da indústria de
defesa no continente. De acordo com o Financial Times, os serviços
secretos ocidentais referem um agravamento da ameaça do Kremlin dirigida não
apenas a infraestruturas, mas também a indivíduos.
O jornal ouviu, sob anonimato, responsáveis
de cinco agências de ‘inteligência’ europeias, que alertam que
dirigentes de empresas de armamento, incluindo fabricantes de drones e de
componentes militares, passaram a figurar entre os potenciais alvos das
operações híbridas russas.
Esta será uma forma de Moscovo expandir as suas ações de
sabotagem e operações híbridas para tentar
enfraquecer o apoio europeu à Ucrânia, acreditam as agências de
informação ocidentais, enquanto a situação no terreno, isto é, no campo de
batalha, enfrenta um impasse e as negociações para um acordo de paz não dão
frutos.
Este aviso levou determinadas empresas (não ficou claro
quais) a reforçarem a segurança pessoal dos seus principais executivos e
outros quadros superiores de
empresas do sector da defesa, algumas recorrendo a equipas privadas, escreve
ainda o “FT” este domingo.
“Os assassinatos contra alvos civis europeus - outrora
considerados tabu, mesmo pelas agências de espionagem russas - constituem uma
parte cada vez mais proeminente desses planos”, avança o jornal.
Mesmo os executivos de
empresas mais pequenas, sobretudo envolvidas no fabrico de drones ou
dos seus componentes, estão igualmente na mira russa, afirmaram as fontes. “O
nível de ameaça aumentou na Europa. Tanto para os bens como para as pessoas”,
disse um alto responsável dos serviços de informações europeus, citado em
anonimato.
Os serviços de segurança sublinham que o objetivo destas
operações nem sempre é concretizar assassinatos mas criar um clima de medo. Ao
transmitir a ideia de que executivos e empresários podem tornar-se alvos, Moscovo consegue
dissuadir essas empresas europeias de
colaborar e apoiar a Ucrânia.
As autoridades apontam o GRU, o maior serviço de
‘inteligência’ estrangeiro da Rússia, como principal responsável por estas
operações. Segundo as fontes, o GRU tem recorrido cada vez mais a redes
criminosas e a estruturas descentralizadas para execução de ações clandestinas.
Fonte: Expresso, 11 de outubro de 2026

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