Tem 16 anos e liderava um grupo de hackers: uma fotografia de uma mota ajudou a polícia a desmantelar a organização
Os jovens enveredam pela via do crime porque o establishment não lhes dá marijuana que chupar
O
KillSec deixou milhares de gigabytes de dados roubados e exigiu milhões de
euros em resgates
Uma fotografia de uma mota e um endereço IP acabaram por ser
peças importantes numa investigação internacional que levou as autoridades até
um jovem de 16 anos, em Alicante, apontado pela Europol como alegado líder do
KillSec. O grupo, ativo pelo menos desde 2024,
é suspeito de roubar dados e exigir dinheiro às vítimas para não os divulgar.
A operação, coordenada pela Europol com a participação de
autoridades de nove países europeus e dos Estados Unidos, terminou com três
detenções. Foram ainda realizadas oito buscas domiciliárias em Espanha, Grécia,
Roménia e Reino Unido.
O KillSec terá realizado cerca de mil ataques em vários
países. Segundo a Europol, foram identificadas até ao momento 280 vítimas e
cerca de 500 ataques considerados bem-sucedidos. As autoridades apreenderam 110
terabytes de dados, cinco servidores e outros equipamentos informáticos.
Um endereço deixou uma pista
Um dos principais avanços na investigação surgiu depois de
um ataque contra uma empresa pública espanhola, no início de 2025.
Os hackers exigiram 13,3 milhões de euros para não divulgar
os dados roubados. A empresa não pagou e conseguiu evitar a publicação da
informação, mas os atacantes acabaram por deixar um elemento que viria a ser
decisivo: um endereço IP.
A Guardia Civil conseguiu associar esse endereço a uma
morada em Alicante. Meses depois, em março, surgiu uma segunda pista através do
FBI.
As autoridades norte-americanas estavam a investigar um
ataque contra uma empresa médica em Porto Rico e tinham na sua posse uma
fotografia de uma mota muito colorida, que acreditavam pertencer a um dos
responsáveis pelo grupo.
A imagem acabou por ser relacionada por investigadores
espanhóis com uma conta de WhatsApp e, posteriormente, com um número de
telefone espanhol. O rasto conduziu novamente a Alicante.
Quando as autoridades chegaram à morada, encontraram um
jovem de 16 anos.
Hacker desde os 12 anos
Segundo informações citadas pelo El País, o adolescente é de nacionalidade romena e terá começado a interessar-se pelo cibercrime
aos 12 anos. Uma fonte descreveu-o como “totalmente autodidata”.
O jovem não frequentava a escola e apresentava um nível de
consumo considerado elevado, com vários telemóveis, relógios e motas. A mãe foi
também identificada como suspeita de cumplicidade.
As autoridades acreditam que o adolescente não atuava
sozinho. Entre os restantes elementos estaria um jovem de 18 anos suspeito de
crimes cometidos quando ainda era menor, um homem de 24 anos detido na Roménia
e outro de 25 anos, de nacionalidade neerlandesa, detido no Reino Unido.
Este último, conhecido como “Arquiduque”, é apontado como
intermediário do grupo e foi alvo de um pedido de extradição por parte dos
Estados Unidos.
Pediam milhões para não divulgar dados
O método do KillSec passava por explorar vulnerabilidades
informáticas, conseguir acesso a dados armazenados na cloud e copiar a
informação para servidores controlados pelo grupo.
Depois, as vítimas eram pressionadas a pagar para impedir a
divulgação dos dados. Quando não havia pagamento, a informação podia acabar
publicada na dark web.
Num dos casos investigados em Porto Rico, os atacantes deram
sete dias para o pagamento. Como não receberam o dinheiro, acabaram por
publicar 180 gigabytes de dados de pacientes.
O grupo terá ainda atacado organizações na Califórnia,
Louisiana e Washington. Na Alemanha, foram associados ao KillSec cerca de 70
ataques e, no Reino Unido, 28.
Um dos suspeitos detidos nos Estados Unidos enfrenta
acusações relacionadas com acesso não autorizado a sistemas informáticos, danos
a computadores protegidos e extorsão. Poderá enfrentar uma pena máxima de dez
anos de prisão.
A idade não surpreendeu os investigadores
Para Nelson Escravana, especialista ouvido pelo El País,
a idade do alegado líder não é necessariamente surpreendente. O acesso a
ferramentas e conhecimento técnico permite que pessoas muito jovens consigam
realizar ataques informáticos sem terem formação tradicional.
A inteligência artificial poderá ainda facilitar algumas
destas operações, desde a pesquisa sobre potenciais vítimas à criação de
ferramentas, automatização de contactos ou produção de tentativas de phishing e
deepfakes.
A investigação foi conduzida em vários países precisamente
devido à dimensão internacional da atividade. Jan Hieber, da Europol, sublinhou
que o crescimento do cibercrime exige cooperação entre diferentes autoridades.
O site utilizado pelo KillSec para divulgar informação roubada está agora ocupado por uma mensagem das autoridades.
Fonte: Nascer do Sol, 3 de outubro de 2026


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