Trump anuncia programa de 25 milhões de dólares para quem denunciar fraudes no governo
Perry Mason
(1957-1966) – Elaine Devry
Qualquer
pessoa (incluindo jornalistas) que denunciar fraudes no Governo dos EUA, pode
vir a receber até cerca de 30 mil dólares (cerca de 27 mil euros). O programa é
novo mas já houve um caso
Donald Trump anunciou nesta terça-feira, ao lado do
vice-presidente norte-americano, JD Vance, um pacote de 25 milhões de dólares
(22 268 500,00 euros) para incentivar a população a denunciar qualquer
suspeita de fraude contra o governo norte-americano. Ou seja, qualquer pessoa
que submeta alguma denúncia que leve a uma condenação ou a alguma ação
significativa da polícia federal, fica elegível a receber até cerca de 30 mil
dólares (cerca de 27 mil euros), informa a Associated Press.
Chama-se Fraud Whistleblower Incentive Program e será da responsabilidade do Departamento de
Justiça americano, sendo que a palavra final cabe a Donald Trump. “Eu serei o árbitro
de todas essas decisões”, disse o presidente dos EUA no Salão Oval,
com Vance e outros funcionários do governo atrás dele. “Será uma arbitragem vinculativa.”
Durante o anúncio da medida, Trump disse ainda que os
pagamentos serão equivalentes a uma comissão de 1% da fraude que a denúncia
ajudar a revelar e em casos de serem várias pessoas a denunciar, será Trump a decidir quem recebe o prémio monetário.
Os jornalistas também são abrangidos pelo programa, fez questão de dizer o
chefe de Estado.
Esta é a mais recente iniciativa da Casa Branca na sua luta
contra a fraude dentro do governo, tendo já estabelecida uma task force, sob o
comando de Vance, em março. Não se livrou de críticas: várias vozes acusaram
Trump bem como a sua família de lucrar com a presidência, uma vez que têm
acesso a informação privilegiada através dos seus inúmeros empreendimentos
comerciais. A Casa Branca tem respondido que Trump age apenas no melhor
interesse do povo americano.
Por seu turno, Vance diz que
o seu trabalho à frente da task force é “divertido” e que o dinheiro dos impostos está a ser roubado.
“O presidente diz que isto tem de acabar. E está a acabar. E se quiserem
ajudar-nos a acabar com isto, podem usufruir dos benefícios”, disse o
vice-presidente.
Para que não restassem dúvidas, Trump anunciou já um caso.
Um cheque de 10 000 dólares (cerca de nove mil euros) foi entregue a Nick Shirley, um influenciador de direita que publicou um
vídeo no ano passado alegando que membros da comunidade somali de Minnesota
estavam a administrar creches falsas para receber subsídios federais.
O vídeo do jovem de 24 anos chamou a atenção da administração de Trump e de
ativistas conservadores e foi assim que Shirley foi chamado à Casa Branca e
estava ao lado de Trump na terça-feira durante o anúncio da medida. Mas o
dinheiro, sublinha a CBS, não lhe foi entregue na presença de jornalistas.
Na sala Oval, Shirley afirmou que a fraude rouba dos pobres
e necessitados, dizendo que “ao expor fraudes, estão a ajudar a salvar a
América”.
No seguimento da divulgação do vídeo online, onde Shirley
denunciou cerca de meia dúzia de creches que estariam alegadamente a receber
dinheiro público sem prestar qualquer serviço, as autoridades estatais do
Minnesota e a Segurança Interna americana realizaram várias perícias nos
locais.
Segundo uma análise da CBS NEWS feita em registos
estatais do Minnesota, na altura em que o vídeo foi divulgado nas redes
sociais, todos os centros, exceto dois, possuíam licenças ativas e os órgãos
reguladores tinham visitado os centros que se encontravam ativos nos seis meses
anteriores. A análise encontrou, no entanto, dezenas de notificações por
violações de segurança e outras infrações, mas nenhuma evidência registada de
fraude até 30 de dezembro de 2025.
Mas um dos centros mostrados no vídeo de Shirley, o Quality
Learning Center em Minneapolis, fechou em janeiro, de acordo com registos
estatais. O centro tinha recebido 1,9 milhão de dólares (cerca de 1,7 milhão de
euros) do Programa de Assistência à Infância de Minnesota no ano fiscal de
2025, informou o estado.
E em julho, Fahima Mahamud, que apareceu num dos vídeos de
Shirley, declarou-se culpada de fraude eletrónica e conspiração para defraudar
os EUA, ao apresentar pedidos de reembolso inflacionados por refeições
supostamente servidas a crianças na sua creche, de acordo com o Departamento de
Justiça americano.
Fonte: Observador, 21 de outubro de 2026

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