Trump quer Viktor Orbán como secretário-geral da ONU. China e Rússia terão apoiado a ideia
A ideia pode parecer surpreendente, mas estará mesmo em cima
da mesa, segundo três fontes familiarizadas com o processo. A administração de
Donald Trump terá sido a impulsionadora de uma possível candidatura de Viktor
Orbán, antigo primeiro-ministro húngaro, ao cargo de secretário-geral das
Nações Unidas, tendo sido a primeira a sugerir-lhe essa possibilidade.
A surpresa, no entanto, não se fica por aqui. Segundo um
responsável do Departamento de Estado norte-americano ouvido pelo The Wall
Street Journal, a proposta poderá contar com
o apoio da Rússia e da China, com base em conversas anteriores
mantidas com Washington. O objetivo seria apresentar Orbán como candidato
consensual das três potências, todas com assento permanente no Conselho de
Segurança.
O jornal, que cita outras fontes familiarizadas com o
processo, lembra que quando Washington, Moscovo e Pequim defendem a mesma
posição no Conselho de Segurança da ONU, é habitual conseguirem fazê-la
prevalecer.
O mesmo responsável norte-americano estima que Orbán poderá contar com oito votos garantidos
ou confortáveis no Conselho de Segurança, composto por 15 membros, e considera
que poderá alcançar um total de dez.
Neste cenário, a posição do Reino Unido e da França, ambos
tradicionalmente cautelosos no recurso ao direito de veto, poderá ser
determinante.
O nome do antigo chefe do governo húngaro terá surgido
repetidamente nas conversas entre responsáveis norte-americanos sobre quem
deveria liderar as Nações Unidas. A ideia de encontrar alguém com o perfil de
Orbán terá sido bem recebida também por interlocutores chineses e russos,
levando os responsáveis dos Estados Unidos a ponderar diretamente a sua
candidatura.
A possibilidade não está, contudo, isenta de controvérsia.
Entre as principais reservas apontadas está a perspetiva de Orbán assumir uma
posição favorável ao presidente russo, Vladimir Putin, e a outros dirigentes
autoritários. Ainda assim, um responsável do Departamento de Estado dos EUA
descreveu-o como o candidato ideal para a
corrente conservadora associada ao movimento MAGA, ligado a Trump.
Esta avaliação está relacionada com as políticas de Orbán
contra a imigração em massa, as organizações não-governamentais liberais e
aquilo que os seus críticos consideram ser uma orientação de esquerda dos
tribunais e da imprensa húngaros.
O antigo primeiro-ministro entrou frequentemente em conflito
com a União Europeia, embora tenha continuado a beneficiar dos seus subsídios.
A sua aproximação à China também não terá abalado, entre os seus apoiantes, a
imagem de defensor da civilização ocidental.
Donald Trump manifestou apoio
a Orbán nas eleições húngaras de abril, enquanto o vice-presidente
norte-americano, JD Vance, participou na campanha a seu favor. Caso
o antigo primeiro-ministro avance para a corrida à liderança da ONU, ambos
deverão voltar a apoiá-lo. Segundo uma terceira fonte familiarizada com o
processo, um eventual anúncio tem sido adiado para depois das eleições
intercalares nos EUA, a 3 de novembro.
Segundo o mesmo jornal, foram responsáveis norte-americanos
que contactaram inicialmente Orbán para avaliar a sua disponibilidade para
assumir o cargo. O político terá demonstrado abertura à proposta, embora com
algumas reservas, tendo em conta o seu perfil nacionalista.
Segundo as mesmas informações, não estará disposto a avançar
sem ter confiança de que poderá vencer.
Entretanto, Lana Nusseibeh, diplomata dos Emirados Árabes
Unidos, entrou na corrida na semana passada. A ligação do apoio emiradense a
uma força paramilitar envolvida na guerra civil do Sudão poderá prejudicar a
sua candidatura, embora a diplomata seja considerada qualificada e esteja a
ganhar apoio. Pelo caminho enfrentará outros seis candidatos.
Rebeca Grynspan, da Costa Rica, Rafael Mariano Grossi, da
Argentina, Carolyn Rodrigues Birkett, da Guiana, Michelle Bachelet, do Chile,
Macky Sall, do Senegal, e Ivonne A-Baki, do Equador são os restantes candidatos
na corrida à sucessão de António Guterres na liderança das Nações Unidas. O
cargo do português termina a 31 de dezembro deste ano.
De recordar que não existe qualquer obrigação jurídica nem
uma disposição escrita na Carta das Nações Unidas que imponha a alternância do
cargo de secretário-geral entre continentes. Ainda assim, existe uma tradição
política de rotação regional, assente numa regra informal e num consenso
diplomático construído ao longo de várias décadas, com o objetivo de evitar que
uma única região do mundo concentre a liderança da organização.
Fonte: CNN Portugal, 26 de outubro de 2026

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