Christa Pike. Sobrevivente a dupla injeção letal nos EUA revela que está em dor permanente
Christa Pike, a mulher que sobreviveu a duas injeções letais
no Tennessee, nos Estados Unidos, divulgou as primeiras declarações desde a
execução mal sucedida em setembro. Garante que desde aquele dia não houve
sequer um momento em que não sentisse dores.
Christa Pike diz que “acordou confusa e em dor” depois da
execução falhada e depois de ter sido internada num hospital.
“Não houve um único momento desde aquela noite em que eu não
tivesse sentido dor”, revelou, numa declaração tornada pública pela equipa de
advogados.
“O meu corpo dói. Os meus
braços doem. As minhas mãos doem. A minha garganta dói. Ainda tenho dificuldade
em falar. E a dor não é apenas física. Há uma dor na minha mente e na minha
alma”, revela.
Pike, de 50 anos, esteve internada no hospital até final de setembro, depois de ter sobrevivido a duas doses de pentobarbital que a deixaram em estado crítico. Contra todas as expetativas, recuperou consciência e, dias depois, voltou para a prisão onde estava detida há já 30 anos.
Pike foi condenada à morte em 1996 pelo homicídio, cometido
em 1995, de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos do programa de formação
profissional Job Corps, em Knoxville.
Pike tinha 19 anos quando a matou, juntamente com o então
namorado, Tadaryl Shipp, que foi condenado a prisão perpétua por ser menor de
idade na altura do crime.
Pike estava no corredor da morte do Tennessee desde março de
1996.
Os advogados já tinham revelado que Christa tinha sofrido
uma pneumonia no seguimento da tentativa de execução e que não conseguia
engolir. “Estou a recuperar e sei que
estou a ficar mais forte”, declarou. “Mas a recuperar não quer dizer estar
bem”, acrescenta.
Ainda não é certo sobre o que o Estado do Tennessee pretende
fazer. As execuções estão suspensas até que uma investigação externa esteja
concluída.
“Não sei porque sobrevivi naquela noite. Não sei o que vem a
seguir. Encontrar esperança é mais difícil em alguns dias. Por agora, estou a
tentar recuperar, um dia de cada vez”, diz, referindo que tem recebido
mensagens de apoios vindas de todo o mundo.
Agradeceu às equipas de socorro, aos médicos e aos enfermeiros que cuidaram dela no hospital, bem como aos seus advogados e àqueles que “lutaram por mim, estiveram ao meu lado e se recusaram a desistir de mim”. E acrescenta: “Estou a agarrar-me ao amor e à bondade de tantas pessoas que me lembraram que não estou sozinha”.
Christa Pike tinha 18 anos
Fonte: RTP, 30 de outubro de 2026





Comentários
Enviar um comentário