Dinamarca quer proibir “frangos turbo” no país e na UE e Governo português diz “acompanhar com atenção” o tema

 

Perry Mason (1957-1966) – Constance Towers, Max Showalter

O ministro dinamarquês do Bem-Estar Animal alertou para “problemas generalizados nos chamados ‘frangos turbo’”, e o ministério da Agricultura português diz “reconhecer a importância das preocupações”

A Dinamarca quer avançar com a proibição dos chamados “frangos turbo”, uma estirpe de crescimento ultrarrápido amplamente utilizada na produção avícola, e pretende levar essa discussão para toda a União Europeia. Em causa está uma linhagem de frango conhecida como “Ross 308”, que foi selecionada geneticamente e consegue aumentar de 50 gramas para dois quilos em apenas 33 dias. Este crescimento acelerado pode causar problemas ósseos e orgânicos às aves e comprometer o seu bem-estar, segundo especialistas e organizações de defesa animal.

Fonte: Expresso, 3 de novembro de 2026

A Dinamarca quer acabar com uma raça de frango na UE. Esta é a razão

Governo dinamarquês garante que vai trabalhar na proibição desta raça de crescimento rápido em todo o país e em toda a União Europeia

O ministro da Natureza e do Bem-estar Animal da Dinamarca, Christian Rabjerg Madsen, está a defender a proibição nacional dos “frangos turbo”, raça de ave feita para crescer de forma muito mais rápida que o comum.

Esta medida surge num contexto de indignação generalizada face às alegações de violação da lei por parte de um dos grandes produtores de frango da Dinamarca, segundo o The Guardian.

O governo, que chegou ao poder com a votação que ficou conhecida como “eleição dos porcos”, devido à grande preocupação animal, teve o apoio de um amplo grupo de partidos para esta causa. No entanto, as dúvidas sobre os “aspetos legais e financeiros” ainda persistem, afirmou Madsen, citado pelo Politico.

Após a exibição de um documentário da TV2 na semana passada, o governo dinamarquês considerou que se infringiu a lei ao proporcionar aos frangos apenas metade do tempo de escuridão exigido, com o objetivo de os incentivar a comer mais. As imagens exibidas no documentário foram captadas secretamente num galinheiro na Jutlândia do Norte, na parte continental do país.

A raça Ross 308, um termo mais utilizado na produção avícola dinamarquesa, atinge um peso corporal de cerca de dois quilos em apenas 33 dias, mas este crescimento rápido pode levar a lesões e dificuldades de locomoção. Outras raças de frangos demoram entre 46 e 63 dias a atingir o mesmo peso.

Madsen desaconselhou os dinamarqueses a comprar frangos “turbo”, tendo garantido à emissora que quer "trabalhar no sentido de uma proibição a nível nacional. Mas é evidente que se trata de uma questão que tem de ser analisada tanto do ponto de vista jurídico como económico.” Acrescentou ainda que o objetivo agora é "trabalhar no sentido de uma proibição a nível nacional e de uma proibição a nível da UE".

O diretor-executivo da produtora de frango Danpo, Klement Hinkbøl Ribergaard, defendeu que não deve ser apenas o país a adotar esta medida. "Se for só a Dinamarca a proibir a produção de frangos de crescimento rápido, enquanto as lojas, os restaurantes e os consumidores no mercado dinamarquês puderem continuar a comprar frango importado de crescimento rápido, de qualidade mais ou menos questionável, corremos o risco de uma situação em que o bem-estar animal certamente não será beneficiado."

Segundo a Eurogroup for Animals, cerca de 90% dos frangos de aviário na União Europeia são criados em sistemas intensivos para produzir uma maior quantidade de carne ao menor custo possível.

A diretora-executiva da Animal Protection Denmark, Britta Riis, afirmou que os frangos “turbo” representam as consequências de uma “forma de criação profundamente antiética e grotesca” que conduz a “abusos sistemáticos” e a um sofrimento das aves. A organização apela a que todas as aves sejam criadas durante 56 dias, o que corresponde ao mesmo período que as raças biológicas.

“A vontade política da Dinamarca de pôr fim a esta situação é um exemplo que deve ser seguido pela UE, pois representa o espírito progressista de que esta indústria necessita, apoiado por evidências científicas”, acrescentou Reineke Hameleers, diretora-executiva do Eurogroup for Animals.

Fonte: CNN Portugal, 3 de novembro de 2026

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