Festival neonazi reúne centenas de participantes de vários países na Póvoa de Varzim

Perry Mason (1957-1966) – Mona Freeman

O evento foi organizado em segredo pela divisão portuguesa da organização supremacista branca Blood & Honour

Mais de 200 pessoas estão reunidas esta sexta-feira, na Póvoa de Varzim, num festival de música neonazi. O evento, intitulado "Masters of the Sea", foi organizado em segredo pela divisão portuguesa da organização supremacista branca Blood & Honour.

A notícia já tinha sido avançada pelo jornal Expresso. Os bilhetes são vendidos no valor de 50 euros por dia, e havia indícios de que alguns dos convidados se hospedariam num hotel próximo do aeroporto Francisco Sá Carneiro.

O festival adota um modelo estrito de segurança interna e clandestinidade. À semelhança de edições anteriores, a localização exata do espaço de concertos só foi transmitida aos portadores de bilhete através de canais de comunicação encriptados poucas horas antes do arranque.

Entre as bandas já confirmadas, segundo o Expresso, pelo menos três são ligadas à organização: Skumshot, da Grécia, Mr Obled, da Polónia e Legião Lusitana, de Portugal.

Há pelo menos uma banda ligada aos Hammerskins, a alemã Flak, do vocalista e uma das maiores celebridades da música nazi da Alemanha, Phillip Neumann, conhecido pelo pseudónimo de Phil Von Flak.

Dono do estabelecimento tentou impedir evento

Segundo o Jornal de Notícias, o evento decorre num salão de uma associação cultural, no centro histórico da cidade, e terá juntado participantes de vários países. O presidente da associação garante que pensava estar a alugar o espaço para um concerto de rock e ao início da noite estava a tentar travar o evento.

Nas ruas, os moradores mostram-se assustados com a presença dos participantes e com a música demasiado alta, tendo já colocado a PSP e a Câmara Municipal em alerta.

Fontes ligadas ao acompanhamento do fenómeno estimam que a afluência global ronde os 300 participantes ao longo de todo o fim de semana. O evento conta com uma expressiva adesão de cidadãos estrangeiros, maioritariamente oriundos de vários países da Europa, que viajaram para Portugal especificamente para o festival.

Fonte: SIC Notícias, 31 de outubro de 2026

O cartaz da 3.ª edição do festival de música "Masters of the Sea" (organizado em segredo pelo grupo Blood & Honour Portugal na Póvoa de Varzim / região da Maia a 30 e 31 de outubro de 2026) inclui várias bandas associadas à cena neonazi internacional como:

• Skumshot (Grécia) 

Skumshot - Welcome to The Great Reset

• Mr Obled (Polónia) 

Mr.Obłęd - Dekada Nienawiści (Década de ódio)

• Legião Lusitana (Portugal) 

Legião Lusitana - Hordas Lusitanas ft. Iberian Wolves

• Flak (Alemanha) 

FLAK – How I Met Your Messer

Festival neonazi do Blood & Honour instala-se na Póvoa de Varzim

Anunciado para a Maia, acabou por se instalar num salão do centro histórico da Póvoa de Varzim. O dono diz ter sido enganado: “era para ser um concerto rock”

Estava anunciado para a Maia. Acabou na Póvoa de Varzim. Ao início da noite desta sexta-feira, já eram mais de 200 as pessoas reunidas num salão de uma associação cultural, no centro histórico da cidade, diz o JN.

Tratava-se da terceira edição do “Masters of the Sea” — um festival de música neonazi organizado em segredo por membros do Blood & Honour Portugal.

O evento tinha sido dado como certo para Vila Nova da Telha, na Maia, avançou o Expresso. A Câmara da Maia reagiu depressa: garantiu não ter autorizado “qualquer festival de música neonazi” no concelho e apelou às polícias para agirem.

O festival realizou-se, mas a poucas dezenas de quilómetros, na Póvoa.

O dono da sala diz que foi enganado. António Castro, presidente da associação, pensava ter alugado o espaço para “um concerto de rock”. Estranhou não ver cartazes, mas nunca imaginou que a sala servisse de palco a grupos extremistas.

Ao início da noite, ainda tentava travar tudo. A PSP e a Câmara da Póvoa foram avisadas.

O secretismo é a marca da casa. O local só é revelado aos participantes poucas horas antes, por um grupo fechado. Não há cartazes nem rasto nas redes sociais. Os bilhetes custavam 50 euros por dia e esperavam-se cerca de 300 pessoas.

Nas ruas do bairro antigo, o medo. Havia moradores a fechar as mercearias mais cedo e quem passeava o cão falava de música pesada aos berros e de um grupo “de gente estranha, de cabeça rapada, vestida de preto dos pés à cabeça”.

Do cartaz fazem parte pelo menos dez bandas, três ligadas ao Blood & Honour: os gregos Skumshot, os polacos Mr Obled e os portugueses Legião Lusitana. Era esperada a presença do líder do B&H finlandês e de membros das secções de Espanha, Reino Unido, Hungria, Noruega e Brasil.

O B&H nasceu em 1987, no Reino Unido, pela mão de Ian Stuart Donaldson, vocalista dos Skrewdriver. O nome decalca um lema da Juventude Hitleriana. Está banido ou limitado na Alemanha, Espanha, Rússia e Canadá, que o classificou como entidade terrorista.

Skrewdriver - Back With A Bang!

Em janeiro de 2025, o Reino Unido congelou-lhe os bens.

A secção portuguesa foi fundada em 1998 e é um dos grupos de extrema-direita que mais preocupa as autoridades. Há anos que é seguido pela Polícia Judiciária e pelo Serviço de Informações de Segurança.

Alguns dos seus membros estiveram ligados ao homicídio de Alcindo Monteiro, espancado até à morte em Lisboa na noite de 10 para 11 de junho de 1995.

Uma versão preliminar do Relatório Anual de Segurança Interna de 2024 descrevia estes concertos como “locais de radicalização, recrutamento e financiamento” do movimento. A passagem foi cortada da versão pública.

Não é a primeira vez no Norte. Há um ano, a edição anterior decorreu num salão paroquial da zona da Maia e trouxe ao Grande Porto dezenas de extremistas estrangeiros.

Um ano depois, muda o concelho e repete-se o guião.

Fonte: ZAP, 31 de outubro de 2026

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