Manifestantes tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu
Perry Mason
(1957-1966) – Cynthia Pepper, Carl Reindel
João
Almeida considera que a causa da habitação é legítima, mas recorda que "os
manifestantes estavam no terreno por sua vontade e tiveram várias oportunidades
de evitar o que aconteceu". Segundo o deputado do CDS, "a polícia
estava no terreno por obrigação de cumprimento da lei e não podia de maneira
nenhuma evitar o que aconteceu"
O deputado do CDS João
Almeida reagiu, este domingo, numa conferência de imprensa realizada
no Porto, à intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) durante a
madrugada nas cidades de Lisboa e Porto sobre as acampadas pelo direito à
habitação.
"[O CDS] Reafirma que em democracia e num Estado de
Direito há princípios dos quais não se pode prescindir: A lei, a ordem, a
autoridade do Estado e certamente o direito à manifestação. A causa da habitação é, certamente, uma causa legítima.
Há muitos portugueses que neste momento sofrem para encontrar uma habitação e
para poderem pagar as suas rendas. Não é um problema de agora, mas é um
problema que merece atenção e tem merecido a atenção deste governo",
começou por dizer.
Segundo João Almeida, é "por isso que as manifestações
participadas de ontem à noite merecem a atenção do CDS e o respeito pelos
milhares de manifestantes que estiveram na rua durante a tarde de forma
tranquila e pacífica".
"Por isso mesmo também não houve qualquer incidente a
registar. Coisa diferente é o que se passa à
noite, já não é a primeira vez, com ocupação ilegítima do espaço
público, com danificação de património público e privado", declarou,
acrescentando: "Houve apelos à violência,
que se acabasse com a polícia, com os tribunais e até com os média.
Isso não é aceitável num Estado de Direito. Portanto, coisas como faixas que se
viram ontem a apelar a uma intifada europeia não podem passar".
"Por
isso, a polícia agiu com ponderação, durante quatro horas respeitou tudo
aquilo que a lei e as diretrizes implica - o diálogo, a tentativa de dissuasão
dos manifestantes e o apelo a que se cumpra a lei. Isso foi feito junto dos
manifestantes, de políticos no local e de advogados dos manifestantes. Só
depois de várias horas e de vários apelos é que ocorreu a intervenção, perante a desobediência e o radicalismo daqueles que não
acataram as instruções da polícia e que agrediram, inclusivamente, esses
agentes que estavam no terreno. Os polícias são também pessoas, têm as suas famílias em
casa a ver estes acontecimentos e preocupadas com a sua integridade
física e com o cumprimento da missão que estão a desempenhar. Certamente
lamentamos também o que aconteceu do lado dos manifestantes, mas é muito
importante salientar uma coisa: os manifestantes estavam no terreno por sua
vontade e tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu. A polícia
estava no terreno por obrigação de cumprimento da lei e não podia de maneira
nenhuma evitar o que aconteceu", sublinhou o centrista.
Numa nota política,
o deputado referiu que o CDS vê "com muita preocupação" a reação do
secretário-geral do Partido Socialista.
"José Luís Carneiro fez parte de um governo que agravou
substancialmente o problema da habitação em Portugal, tem portanto
responsabilidades diretas naquilo que vivemos neste momento. Foi ministro da Administração Interna e durante esse
tempo as polícias tiveram intervenções em tudo semelhantes àquilo que aconteceu
desta madrugada, não pode ser irresponsável e negar agora o que
aconteceu no passado. Os portugueses começam a aperceber-se de uma coisa: o PS
quer ser alternativa, mas ia ficar refém da extrema-esquerda e da rua, sem
qualquer autoridade e sem qualquer rumo político. Se é isso, o CDS está
convencido de que os portugueses não preferem essa alternativa", rematou.
Recorde-se que na carga policial da madrugada de hoje, em
que a PSP avançou praticamente em simultâneo sobre os manifestantes
concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizem,
retirando tendas, foram detidas 13 pessoas, seis em Lisboa e sete no Porto,
registando-se vários feridos.
Fonte: Notícias ao Minuto, 1 de novembro de 2026
No dia 1 de abril de 2023, com José Luís Carneiro como ministro da Administração Interna (março 2022 - abril 2024), a manifestação “Casa para Viver” ficou marcada por confrontos entre a polícia e manifestantes na zona do Martim Moniz, em Lisboa, após a detenção de duas mulheres que, segundo a polícia, tinham provocado danos em estabelecimentos comerciais, pintando as respetivas paredes e montras.
A RTP acompanhou os acontecimentos no local e registou imagens da situação. Segundo a estação pública, a detenção fez aumentar a tensão na zona, onde centenas de pessoas se concentraram junto ao espaço Supermercado Oriental em que as jovens estavam retidas. Posteriormente, a PSP tentou dispersar os manifestantes com gás pimenta e bastões, tendo os agentes sido também alvo de arremesso de objetos.
De acordo com a PSP, dois agentes policiais ficaram feridos durante os confrontos. Foi neste contexto de tensão e de agressões a agentes de autoridade que Carneiro condenou as ofensas contra os polícias, considerando-as também uma ofensa ao Estado de Direito.
Fonte: Polígrafo






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