O "melhor homem" para Trump prepara-se para ser o bode expiatório do presidente. Republicanos começam a virar-se contra Pete Hegseth
O grande problema das famílias numerosas é puramente matemático. À medida que aumenta a dimensão da amostra, cresce a probabilidade estatística de nela surgir pelo menos um indivíduo não-binário. Se considerarmos uma probabilidade individual constante (p), a probabilidade de surgir pelo menos um indivíduo não-binário numa população de (n) elementos é:
O presidente Donald Trump pode ter sido quem tomou a decisão
de iniciar a guerra que fez cair o apoio dos eleitores ao Partido Republicano e
lhe valeu uma derrota esmagadora nas eleições intercalares. Mas as perdas
históricas estão a acelerar os esforços para encontrar outra pessoa a quem
atribuir as culpas: o secretário da Defesa, Pete Hegseth.
A Câmara dos Representantes poderá mesmo votar já na próxima
semana a destituição [impeachment] do principal responsável pelo Pentágono.
Muitos congressistas
republicanos e aliados, alarmados com o desaire de terça-feira, estão a agir
rapidamente para responsabilizar Hegseth pelos resultados eleitorais.
Nos bastidores, defendem
que teve um papel determinante em convencer Trump a atacar o Irão sem uma
estratégia de saída e sem um plano para gerir as inevitáveis consequências
políticas.
Esta campanha para encontrar um culpado surge apesar de
estrategas republicanos da Câmara dos Representantes e do Senado reconhecerem,
em privado, que os problemas do partido vão muito além da guerra, desencadeando
perdas eleitorais comparáveis às de 2008, cuja recuperação poderá demorar anos.
Por enquanto, porém, os líderes do partido — e muitos dos
seus membros — continuam sem estar dispostos a responsabilizar diretamente
Trump pelos seus problemas.
Mesmo entre os republicanos da Câmara dos Representantes que
sobreviveram à derrota de terça-feira, não há qualquer expectativa de que
rompam subitamente com o presidente, quando ainda faltam dois anos para
terminar o seu mandato. Mas essa lealdade não se estende a Hegseth, o combativo
secretário da Defesa, que conquistou poucos amigos no Capitólio desde que
assumiu o comando do Pentágono.
Os republicanos da Câmara dos Representantes deverão votar,
dentro de poucos dias, uma moção para repudiar diretamente o secretário da
Defesa. O congressista Thomas Massie, do Kentucky, conhecido pela sua oposição
a Trump, disse à CNN que tenciona avançar com uma votação para destituir
Hegseth através de um processo de impeachment quando o Congresso regressar na
próxima semana. Várias fontes republicanas afirmam esperar que a proposta seja
aprovada.
Hegseth, um dos mais entusiásticos apoiantes da guerra,
exagerou as capacidades dos Estados Unidos para vencer rapidamente e com
facilidade o conflito, defenderam vários republicanos à CNN. Sob anonimato,
explicaram por que razão muitos membros do partido estão agora a virar-se
contra o secretário da Defesa.
Acusam-no de continuar a
defender uma escalada militar, apesar de haver poucos sinais de que os
bombardeamentos continuados tenham aproximado o Irão da rendição.
O conflito acabou por se transformar num lamaçal, afirmam,
envolvendo os Estados Unidos numa situação de duração indefinida no Médio
Oriente, agravando a crise do custo de vida e desencadeando a revolta dos
eleitores contra os republicanos nas eleições intercalares.
Na quarta-feira, o vice-presidente JD Vance fez uma
declaração extraordinária, afirmando que "a razão pela qual perdemos foi a
guerra", embora não tenha atribuído responsabilidades específicas pelo
conflito.
"A mudança de posição está a começar" em relação à
guerra e a Hegseth, afirmou um antigo alto responsável do Pentágono. "Foi
essencialmente uma iniciativa liderada pelo Departamento da Guerra, porque
decidiram recorrer à força militar para resolver uma questão de política
externa."
Ainda assim, apesar dos esforços de alguns dos que o rodeiam
para aumentar a pressão sobre Hegseth, a confiança de Trump no secretário da
Defesa ainda não vacilou, mesmo continuando o presidente a consultar aliados
sobre o seu desempenho, disseram à CNN vários responsáveis da Casa Branca.
Trump gosta pessoalmente de
Hegseth e já disse aos seus
assessores que considera que este deve resistir às tentativas de destituição ou
de abertura de investigações sobre as suas decisões.
"Ainda há apenas dois dias, o presidente estava na
mesma sala que ele e disse-lhe: 'És o meu melhor
homem. És o melhor que tenho'», contou um dos responsáveis.
Trump poderá também sentir uma necessidade acrescida de
manter Hegseth no cargo se decidir avançar com novos ataques contra o Irão.
Outra fonte familiarizada com o seu pensamento disse à CNN que esta
possibilidade ganha particular importância tendo em conta que a nova maioria
democrata no Senado deverá dificultar qualquer tentativa da administração de
confirmar novos membros do governo.
Questionado na quarta-feira sobre a permanência de Hegseth
no cargo, Trump defendeu a operação militar e negou ter planos para o demitir,
afirmando considerar que o secretário da Defesa está a "fazer um trabalho
muito bom".
"Se tivesse de voltar a fazê-lo, teria de o fazer
novamente", afirmou Trump, referindo-se à decisão de entrar em guerra.
Numa entrevista à ABC, o presidente reconheceu mais tarde
ter recebido telefonemas de aliados descontentes com Hegseth, mas desvalorizou
as críticas e garantiu que o manterá no cargo.
A Casa Branca também criticou a possibilidade de os
democratas avançarem com investigações ao Pentágono. Num comunicado, a
porta-voz Lauren Bis argumentou que "se os
democratas optarem por avançar com investigações fraudulentas e políticas da
extrema-esquerda, estarão a escolher agir contra os interesses do povo
americano".
Mas alguns republicanos consideram que poderá ser apenas uma
questão de tempo até Trump procurar alguém a quem atribuir as culpas pela
derrota nas intercalares. E veem Hegseth como um alvo evidente.
"Se o presidente está a falar a sério quando diz que
alguém tem de assumir a responsabilidade, esse alguém é Pete Hegseth",
afirmou um republicano próximo da Casa Branca, referindo-se ao desaire
eleitoral. "Pete tem sido desonesto ou tem
estado errado — e nenhuma das duas coisas é aceitável — quanto aos
prazos, objetivos e metas desde o início."
Trump ainda não deu qualquer indicação de que tencione
demitir altos responsáveis da administração. No entanto, na sequência da pesada
derrota dos republicanos nas intercalares, aliados e conselheiros esperam, de
um modo geral, que acabe por promover algumas mudanças no seio da
administração.
No círculo próximo de Trump, alguns aproveitaram a provável
abertura de um processo de impeachment contra Hegseth como mais uma
justificação para o transformar no bode expiatório, na sequência de uma
humilhante rejeição da presidência de Trump nas urnas. Argumentam que o
secretário da Defesa acabará, de qualquer forma, por se tornar um dos
principais alvos da indignação dos democratas em relação à guerra.
Hegseth, por seu lado, tem-se mostrado desafiador quanto à
sua capacidade para resistir à próxima vaga de escrutínio no Congresso.
Embora tenha falado por vezes com aliados sobre as suas
possíveis ambições políticas futuras — incluindo uma eventual candidatura a um
cargo eletivo no Tennessee —, as pessoas familiarizadas com essas conversas
afirmam que aqueles que estão mais próximos de Trump não acreditam que essa
seja uma prioridade imediata para Hegseth. Entretanto, alguns republicanos no
Capitólio manifestam, em privado, desconforto com a possibilidade de o
secretário da Defesa vir a integrar o Congresso.
Na sequência imediata dos resultados das eleições
intercalares de terça-feira, uma pessoa próxima de Hegseth disse à CNN que o
secretário da Defesa de Trump continua a esperar manter-se no cargo e está
preparado para enfrentar uma tentativa de destituição.
Hegseth também transmitiu à Casa Branca que está disposto a
assumir a responsabilidade por todas as decisões políticas e ações tomadas pelo
Pentágono, acrescentou a mesma fonte. Considera estar bem preparado para
defender essas decisões em audições públicas que poderão tornar-se
particularmente tensas caso os democratas as promovam depois de assumirem o
controlo do Congresso, em janeiro.
Num comunicado, o principal porta-voz do Pentágono, Sean
Parnell, afirmou que Hegseth "não vai recuar nem se deixar intimidar por
políticos que procuram obter ganhos partidários ou lançar
investigações falsas quando não
existe qualquer irregularidade".
"Continuaremos a concretizar a agenda do presidente
Trump no Departamento da Guerra [Departamento de Defesa] — apesar das ameaças
dos democratas de lançarem falsas caças às bruxas — e o secretário Hegseth está
100% empenhado em liderar o Departamento até ao final do mandato do presidente
Trump", afirmou Parnell.
Ainda assim, à medida que o escrutínio do Congresso
aumentar, conselheiros e aliados de Trump questionam durante quanto tempo
Hegseth conseguirá manter esta determinação.
Mesmo antes de terça-feira, vários responsáveis da Casa
Branca, membros da equipa política do presidente e aliados de Trump reconheciam
abertamente que, na sua opinião, a guerra no Irão era a maior vulnerabilidade
do partido nas eleições intercalares. E Hegseth, um dos maiores defensores da
intervenção militar no Irão, está intrinsecamente ligado a essa
vulnerabilidade, acrescentaram.
"Acho que provavelmente sabe que está acabado, mas
gostaria de ter uma saída suficientemente dramática para lhe servir de
trampolim para uma candidatura à Presidência dos Estados Unidos", apontou
um responsável da administração.
Para os críticos da guerra sem prazo definido no Irão,
conseguir afastar Hegseth do Pentágono representaria uma vitória importante —
mas seria apenas o primeiro passo de um esforço mais amplo para pôr fim ao
conflito.
Afinal, como salientou Massie, Trump continua a defender a
continuação da guerra no Irão, independentemente do preço político e económico
que os Estados Unidos tenham de pagar internamente.
"Não se tem uma derrota eleitoral desta dimensão por
causa de apenas uma questão", observou Massie. "Tudo isto poderia ter
sido completamente evitado se tivessem simplesmente deixado de seguir Donald
Trump de forma quase sectária."
Fonte: CNN Portugal, 5 de novembro de 2026
Quem deposita confiança num velho de 80 anos merece todas as catástrofes que lhe possam acontecer.

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