Serviços internos de Israel pedem autorização para interrogar políticos árabes
Perry Mason
(1957-1966) – Philip Ober
O
diretor do serviço de segurança interna israelita, David Zini, solicitou ao
Ministério Público que autorizasse o interrogatório de quatro políticos árabes,
incluindo o líder do partido Raam, Mansur Abbas, por alegada interferência nas
eleições
O chefe do Shin Bet solicitou à procuradora-geral, Gali
Baharav-Miara, que autorizasse o interrogatório de Sami Abu Shehadeh,
presidente do partido Balad; de Ahmad Tibi e de um quarto deputado, ambos da
Lista Conjunta.
Foi o que noticiou a estação de televisão israelita i24, que
refere que este último é um membro do Knesset "cuja identidade não pode
ser divulgada".
Entretanto, a procuradora-geral respondeu que "num Estado de direito, é impossível interrogar
cidadãos ou titulares de cargos eleitos sem provas que o justifiquem".
Num comunicado divulgado pelo jornal The Times of Israel,
Baharav-Miara instou o Shin Bet a apresentar as provas de que dispõe e que
"justifiquem uma investigação".
O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin
Netanyahu, acusou a procuradora de obstruir a investigação de uma alegada
conspiração de ingerência estrangeira no processo eleitoral israelita, um caso
que denunciou na quinta-feira, referindo-se a ele como "Ra`amgate".
"Baharav-Miara está a impedir que o Shin Bet aplique
medidas de investigação (...) e pretendia ocultar ao público que se trata de um
crime contra a segurança (...) Está a agir para encobrir e frustrar a
investigação sobre a manipulação das eleições", afirmou nas redes sociais,
onde denunciou uma "aplicação seletiva da lei".
Pouco antes, o partido exigiu à procuradora que
"cessasse as suas tentativas de encobrir e atrasar a investigação sobre o
caso da ingerência estrangeira nas eleições, que deixasse de colocar obstáculos
ao Shin Bet e que permitisse a investigação dos deputados dos partidos árabes e
dos seus assistentes".
Além disso, recordou as declarações do juiz Noam Solberg,
presidente da Comissão Central de Eleições, que, numa primeira fase, apontou
para a alegada participação de atores estrangeiros que teriam intervindo no
processo e subornado eleitores para favorecer os partidos árabes, embora tenha
posteriormente descartado a tese da fraude eleitoral.
O líder da oposição Gadi Eisenkot, por seu lado, acusou
Netanyahu e o Likud de tentarem "levantar um ataque contra a democracia e
o Estado de direito", algo que atribuiu ao seu "desespero" face
às dificuldades em formar governo, apesar de terem vencido as eleições com 27
assentos.
"Estão a tentar arrastar-nos a todos para uma perigosa
crise constitucional, infelizmente, não é a primeira vez, é precisamente por
isso que não são dignos nem aptos para continuar no poder. É por isso que a
maioria dos cidadãos de Israel votou contra a sua permanência no cargo",
sublinhou nas suas redes sociais.
Fonte: RTP Notícias, 3 de novembro de 2026

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