Ucrânia: Bruxelas pede a Estados-membros que usem empréstimos em defesa para apoiar Kiev
Perry Mason
(1957-1966) – Natalie Norwick
Em
comunicado, a Comissão Europeia refere que convidou os Estados-membros a
participarem na segunda ronda do empréstimo de defesa SAFE, composta por 21,3
mil milhões de euros
A Comissão Europeia sugeriu esta quinta-feira que os
Estados-membros utilizem 21,3 mil milhões de
euros em empréstimos de defesa para apoiar a Ucrânia, após Kiev ter indicado que vai precisar de mais 70 mil
milhões de euros em 2027.
Em comunicado, a Comissão Europeia refere que convidou os
Estados-membros a participarem na segunda ronda do empréstimo de defesa SAFE,
composta por 21,3 mil milhões de euros.
O executivo comunitário incentiva os Estados-membros a
utilizarem estes fundos não só para as suas “prioridades e necessidades
nacionais a nível de defesa”, mas também para “reforçar a cooperação com a
Ucrânia”, designadamente através de “aquisições conjuntas”.
“Os Estados-membros deverão também dar prioridade às
necessidades urgentes das Forças Armadas ucranianas e dos próprios
Estados-membros nas áreas dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil, dos
drones e dos sistemas anti-drones, bem como das munições e dos mísseis”, indica
o executivo.
Estes 21,3 mil milhões de euros correspondem ao valor que
ainda não foi gasto do empréstimo de 150 mil
milhões de euros aprovado pela União Europeia (UE) em maio de 2025.
Esse valor surgiu porque alguns Estados-membros, como a
Itália ou a Hungria, decidiram rever em baixa e pedir menos dinheiro do que a
fatia que lhes estava inicialmente prevista.
O programa SAFE visa conceder
empréstimos a longo prazo e a preços favoráveis aos Estados-membros da UE para investimentos em
capacidades de defesa.
Estes empréstimos, que têm de ser executados até 2030, vão
financiar esforços de aquisição urgentes e em grande escala.
Na primeira ronda do empréstimo, foram destinados 5,8 mil
milhões de euros a Portugal, aos quais o país concorreu em novembro do ano
passado com um plano para reequipar as Forças Armadas.
O apelo para que os Estados-membros utilizem agora o
dinheiro da segunda ronda também para ajudar a financiar a Ucrânia surge depois
de, na última cimeira do Conselho Europeu, em 15 e 16 de outubro, o Presidente
ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter avisado os restantes Estados-membros que o
seu país vai precisar de mais 70 mil milhões de euros em 2027 do que o
inicialmente previsto.
O chefe de Estado ucraniano salientou que, de acordo com as
previsões do seu Governo, a guerra “vai custar 155 mil milhões de euros” em
2027.
“E precisamos de pelo menos mais 70 mil milhões de euros
vossos: para a Defesa, armamento, para a nossa resiliência. Este montante é
realista e peço-vos que encontrem forma de nos conceder este apoio”, apelou.
Este apelo de mais 70 mil
milhões de euros surge depois de a UE ter aprovado este ano um empréstimo de 90
mil milhões de euros para a Ucrânia, a serem desembolsados entre 2026 e 2027.
Fonte: Diário de Notícias, 27 de outubro de 2026

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